Escavações em antiga sede de órgão de repressão da ditatura começam no dia 2, em SP
O DOI-Codi funcionava na zona sul. O órgão, subordinado ao Exército, foi palco de tortura e assassinatos de opositores do regime
São Paulo|Da Agência Brasil

As escavações arqueológicas no antigo DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação — Centro de Operações de Defesa Interna) — órgão que era subordinado ao Exército e foi local de tortura e assassinatos de opositores da ditadura militar — já têm data para ser executadas: de 2 a 14 de agosto deste ano. As instalações ficam na região do Paraíso, na zona sul de São Paulo, onde hoje funciona o 36º DP.
Os trabalhos serão realizados por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da UFMG (Universidade Federal de Minas). Eles avaliam que os prédios do antigo DOI-Codi/SP são um marco físico que documenta um período brutal da história brasileira, sob permanente disputa.
Nas escavações, os pesquisadores pretendem explorar os vestígios encontrados no local — objetos, estruturas arquitetônicas e registros documentais — a fim de buscar esclarecimentos sobre o passado e contribuir para a compreensão dos eventos ocorridos durante o período.
“Resultado de um trabalho coletivo desenvolvido no âmbito do Grupo de Trabalho Memorial DOI-Codi em 2018, o objetivo dessas escavações é utilizar as pesquisas arqueológica e histórica para compreender os vestígios materiais e a memória associada a esse importante local de violações de direitos”, disse, em nota, o grupo responsável pelo trabalho.
Espaço de memória
O grupo acrescentou que busca estabelecer uma base sólida para a criação de um espaço de memória do estado de São Paulo e permitir que a sociedade possa acessar informações e interpretações sobre o passado.
“A investigação rigorosa, o diálogo contínuo com a sociedade e a aliança entre ciência e direitos humanos é um dos caminhos para o conhecimento do nosso passado, visando o fortalecimento da democracia e da construção de políticas públicas efetivas para a consolidação da cidadania”, diz a nota.
Haverá ainda visitas guiadas às escavações e oficinas com estudantes e professores, além de mesas e debates com ex-presos políticos, pesquisadores e defensores dos direitos humanos.















