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Escritora Carolina de Jesus ganha exposição neste sábado (18)

Em cartaz até janeiro, mostra demonstra importância histórica da autora na luta contra desigualdade. Visitas devem ser agendadas

São Paulo|Do R7

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Carolina é conhecida principalmente por seu livro 'Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada'
Carolina é conhecida principalmente por seu livro 'Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada'

Após 44 anos de sua morte, a escritora Carolina Maria de Jesus receberá uma exposição que apresentará sua vida, obra e legado, além de ressaltar aspectos pouco conhecidos de sua trajetória. Com entrada gratuita, a mostra será realizada no Instituto Moreira Salles, localizado na avenida Paulista, 2424, na região da Bela Vista, em São Paulo, neste sábado (18).

A exposição "Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros", é resultado de uma pesquisa de quase dois anos, a seleção reúne cerca de 300 itens, entre fotografias, manuscritos, matérias de imprensa, vídeos e outros documentos. Além disso, haverá obras de cerca de 60 artistas que dialogam com a produção da escritora. Para visitar, é preciso fazer agendamento prévio pela internet. 

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As reflexões da escritora ao longo de sua trajetória estão presentes na mostra, da infância na cidade de Sacramento (MG), no contexto pós-abolição da escravatura, passando por sua chegada à cidade de São Paulo, pelo lançamento e pela repercussão de seus livros, até o fim de sua vida, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, no ano de 1977.

Segundo os organizadores, na seleção, o público poderá observar como Carolina interpretou as contradições, a política e a desigualdade do país. A exposição, em cartaz até janeiro de 2022, demonstra a importância histórica da autora para lutas como antirracismo, alfabetização e moradia.

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Os textos de Carolina e sua própria letra aparecem em diversos formatos na exposição, como manuscritos, projeções na parede e lambe-lambes. Durante a pesquisa, foram consultados os originais da autora, grande parte localizados no Arquivo Público de Sacramento. O objetivo é mostrar ao público a produção original da escritora, após seus livros publicados sofrerem modificações.

Manuscritos

O título da mostra, "Um Brasil para os brasileiros", refere-se a dois cadernos originais da escritora. Em 1975, Carolina entregou os manuscritos à pesquisadora Clélia Pisa, que, juntamente a Maryvonne Lapouge, a entrevistou para o livro Brasileiras, publicado na França.

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Depois da morte de Carolina, os cadernos foram editados naquele país e publicados em livro, em 1982, com o título Journal de Bitita, que foi traduzido e lançado em português como Diário de Bitita, em 1986. No processo de edição dos manuscritos, houve alterações no texto da autora, como a mudança do título original, Um Brasil para os brasileiros.

Os manuscritos são o fio condutor da mostra e serão exibidos logo na entrada, conforme apontam os organizadores.

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“Em Um Brasil para os brasileiros, a autora elabora narrativas biográficas e autoficcionais ao rememorar sua infância, apresentando pontos de vista de personagens que foram apagadas das narrativas oficiais escritas, majoritariamente por autores homens e brancos. Carolina faz assim um interessante contraponto aos cânones literários vigentes no Brasil”, explica a equipe de curadoria sobre a importância do livro.

Maria Carolina de Jesus no embarque para o lançamento de seu livro "Quarto de Despejo"
Maria Carolina de Jesus no embarque para o lançamento de seu livro "Quarto de Despejo"

Além de percorrer a produção literária de Carolina, a exposição apresenta fotografias pouco conhecidas. Há, por exemplo, um registro dela no aeroporto, em 1961, antes de embarcar para o lançamento de Quarto de Despejo, no Uruguai. Em outras fotos, ela aparece em programa de televisão com os filhos, em 1962, e usando um vestido que confeccionou para o carnaval de 1963.

A mostra aborda ainda a relação de Carolina com a imprensa. A pesquisa curatorial revelou que a escritora teve sua primeira publicação em jornais na década de 1940, quase 20 anos antes da famosa matéria sobre a escritora do jornalista Audálio Dantas. Além disso, há reportagens publicadas em veículos como O Cruzeiro, Folha de S. Paulo, Última Hora e New York Times.

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