Estudantes descrevem os passos de assassinos no massacre de Suzano
Eles entraram pelo acesso da administração, viraram à esquerda e, em seguida, à direita no fim do corredor até o bloco 5, perto de outra saída
São Paulo|Fabíola Perez, do R7

As mãos trêmulas de Lucas Garcia, de 16 anos, seguravam a rosa branca que recebeu, na manhã desta segunda-feira (18), ao buscar a mochila e os cadernos na escola estadual Raul Brasil, em Suzano, na região metropolitana de São Paulo.
"Eles entraram pelo acesso da administração, viraram à esquerda e à direita, no fim do corredor, até chegar ao bloco 5", relembra o jovem com lágrimas nos olhos.
A aluna Francielly Alexandre Delfino, de 16 anos, também com uma rosa pendurada na mochila, diz que ficou frente à frente com um deles próxima do refeitório.
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O caminho feito pelos autores do crime — descrito pelos alunos que sobreviveram ao ataque — passa por áreas de grande concentração de estudantes na escola. "Acredito que eles queriam matar quem vissem pela frente", diz Lucas.
"Estava conversando, na fila da merenda, quando olhei para eles. Estava bem próxima da cozinha. Vi ele atirando e as pessoas correndo, olhamos e todos começaram a gritar", afirma Francielly. "Fiquei embaixo da mesa do refeitório, totalmente desprotegida. Ele chegou no corredor, viu que tinha gente e colocou a máscara. Passei ao lado deles, mas, na hora, não vi que eram duas pessoas."

Francielly veio acompanhada dos pais para retirar os pertences. "Meu material ficou perto do bloco 1. Quase todos nós estávamos sem nossas coisas porque era o horário do intervalo."
A aluna afirma que apesar de ter conseguido voltar para buscar os objetos, não conseguiu dormir na última noite. "Voltava tudo na minha cabeça", disse.
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Lucas revela que se escondeu no banheiro, próximo à cantina. "Fiquei lá o tempo todo até a polícia chegar. Fiquei com muito medo", afirmou. "Eles tentaram entrar em todas as salas. Acredito que foi a última chance deles fazerem alguma coisa." Os assassinos percorreram dois corredores principais da escola até chegar ao bloco 5, próximo de outra saída da escola. "Lá, fica a sala de idiomas, [que é] é muito pequena. O professor contou que eles diziam: 'Abre a porta que é hora de morrer'", diz Lucas.
Duda Garcia, irmã de Lucas, se protegeu na cozinha. "A porta estava trancada com a chave, fizemos uma barreira com o freezer", lembra.
Nesta segunda-feira (18), cinco dias após o massacre, Lucas, Francielly e Duda conseguiram buscar os pertences pessoais e disseram que pretendem continuar estudando na escola. "Minhas coisas estavam como deixaram, meu caderno estava embaixo da mochila", disse Duda. "A escola está bem unida, acredito que com o tempo as coisas vão melhorar", afirma Lucas.
A Escola Professor Raul Brasil, no centro de Suzano, passa por mudanças para amenizar o trauma que alunos e funcionários enfrentam desde o dia do massacre, quando duas pessoas mataram oito vítimas, na última quarta-feira (13)
A Escola Professor Raul Brasil, no centro de Suzano, passa por mudanças para amenizar o trauma que alunos e funcionários enfrentam desde o dia do massacre, quando duas pessoas mataram oito vítimas, na última quarta-feira (13)





















