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Estudo revela mar com restos de cocaína em Santos

Resíduos de remédios e a droga já afetam a vida marinha

São Paulo|Do R7

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O mar da baía de Santos, no litoral paulista, está contaminado por resíduos de remédios e de cocaína. Esses elementos já afetam a vida marinha e podem prejudicar a saúde da população, alerta estudo das Universidades Santa Cecília (Unisanta) e da Federal de São Paulo (Unifesp).

A pesquisa, coordenada pelo professor Camilo Pereira, avaliou a água em uma área de navegação, onde há uma saída da rede de esgoto tratado pela Companhia Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

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A primeira coleta foi feita no carnaval de 2014. "A meta era achar fármacos na água. De fato, identificamos ibuprofeno, paracetamol e diclofenaco, mas também surgiu cocaína, que não era objetivo do estudo", diz Pereira.

Após a droga surgir em concentrações mais altas do que em outras regiões costeiras, os cientistas passaram a monitorar seis pontos entre 2016 e este ano. "Encontramos a droga pura e o metabólico da cocaína, produzido pelo fígado do usuário, dispensado na urina, que chega à rede de esgoto." Para a droga pura que vai ao esgoto, a hipótese é de perda no transporte ou na produção de crack.

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"Encontramos até 500 nanogramas de cocaína por litro no carnaval de 2014. Em outras épocas, as concentrações foram menores, de 250 nanogramas por litro. O pico no carnaval era esperado, porque há aumento de população e pelo evento, que leva ao maior uso de álcool e de psicotrópicos", explicou Pereira.

As estações de esgoto convencionais, diz o estudo, não são capazes de retirar essas substâncias. O descarte inadequado de remédios, jogados no vaso sanitário e na pia, também contribui para a contaminação.

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Os cientistas ainda apontam para riscos ambientais. A nova etapa do estudo vai avaliar os animais marinhos da baía de Santos, principalmente os comestíveis, e os impactos dessas substâncias na saúde da fauna e da população que a consome.

Tratamento

A Sabesp disse, em nota, que "fármacos e entorpecentes não são removidos no tratamento de esgoto nem em cidades como Londres e Nova York". Afirmou ainda que segue as regras de saneamento e a qualidade da água do mar é influenciada por outros fatores, como lixo jogado na rua e levado à praia pela chuva.

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