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Ex-conselheiro: 'Financeiramente, não há motivo para extinguir EMTU'

Extinção da empresa está prevista em projeto do governo do Estado que propõe ajuste fiscal e volta à pauta de discussão da Casa nesta terça (13)

São Paulo|Do R7*

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Projeto de Lei foii enviado à Alesp em agosto
Projeto de Lei foii enviado à Alesp em agosto

Travado no plenário da Alesp (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo) há cerca de duas semanas, o ajuste fiscal proposto pelo PL (Projeto de Lei) 529/2020 volta nesta terça-feira (13) a entrar em discussão. O texto original do PL prevê a extinção de dez autarquias do governo do estado.

Entre os alvos, estão empresas como a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbana), que coordena programas habitacionais a pessoas de baixa renda, e a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo), responsável pelo transporte na região metropolitana. "Financeiramente, não há motivo para extinguir a EMTU", avalia Laércio Basílio da Luz Filho, engenheiro, contador, ex-conselheiro de administração e assessor financeiro da EMTU.

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"Esse PL, mesmo que fosse bem feito, bem estruturado, ele por si só já estaria errado. Imagina o que é você extinguir dez empresas que são empresas essenciais pra sociedade, principalmente pra sociedade de baixa renda e o que é você fazer alterações em impostos, mandar para 94 deputados analisarem em 45 dias. Isso é um absurdo, não faz sentido nenhum um projeto dessa monta ser analisado dessa forma", afirma Basílio.

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Enviado pelo governador João Doria em agosto, devia ter sido aprovado até 30 de setembro para integrar a lei orçamentária de 2021, enviada à Alesp naquele dia. Para ser aceito, seriam necessários 48 votos a favor da proposta (no dia 1º, faltou um voto).

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O governo argumenta que, por conta dos efeitos da pandemia, há previsão de déficit orçamentário em mais de R$ 10 bilhões. Basílio aponta, no entanto, um erro no cálculo do governo que, segundo ele, não leva em conta o valor do IPVA, estimado em R$ 16 bilhões. Considerando o montante, diz Basílio, o estado passaria a ter superávit. O governo do estado informa que houve um erro de digitação na tabela enviada à Alesp, já informado e corrigido. A alteração, no entanto, diz o governo, não muda o cálculo final do déficit estimado.

Em nota, o governo informa: "Com relação à tabela, as receitas previstas para 2021 continuam as mesmas – R$ 214,9 bilhões, bem como as despesas de R$ 225,4 bilhões. Portanto, o mesmo déficit previsto de R$ 10,4 bilhões. Não há somatória errada. A inconsistência na tabela, que detalha o déficit previsto, cita duas vezes os R$ 16 bilhões de receita do IPVA, uma vez discriminada isoladamente e outra somada na rubrica “Demais Receitas Correntes”. Isso já foi corrigido no site do projeto (saopaulo.sp.gov.br/modernizacao) e explicado à Assembleia Legislativa."

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Na visão de Basílio, no entanto, o PL é "carregado de erros". Um deles é alegar que a EMTU teria prejuízo de um bilhão e outro que, com a extinção da autarquia, haveria economia de gastos com os cerca de 500 empregados. "Conheço a área financeira há muito tempo, desde 1998. Posso garantir o seguinte: a empresa nunca pegou um centavo do estado pra pagar despesa de salário, despesa administrativa, nada disso. A empresa é redondinha. Ela não atrasa pagamento de ninguém. A EMTU está passando e vai passar pelo período da pandemia sem nenhum problema", diz o engenheiro, que se disse assustado ao saber da possibilidade da extinção da empresa. "Lamento pela sociedade caso esse PL passe com a [extinção da] EMTU. Vai ser muito triste", afirmou.

Em nota, o governo afirma que "o projeto de ajuste fiscal e modernização administrativa vai garantir o atendimento de serviços públicos, em especial em saúde, educação e segurança pública, que pode ser impactado pelo déficit de R$ 10,4 bilhões previsto para 2021, por causa da crise do coronavírus". Segundo a gestão estadual, a extinção da EMTU não trará prejuízo aos usuários, pois os serviços de transportes metropolitanos serão administrados pela Artesp.

"A Artesp administra e fiscaliza o funcionamento das dez melhores estradas do país e o sistema intermunicipal de transportes de passageiros fora das regiões metropolitanas. Não há sentido em manter duas estruturas de gerenciamento de transporte. A EMTU tem prejuízos acumulados de R$ 1 bilhão e não faz mais a operação do transporte metropolitano, apenas a gestão das concessões destes serviços. Os projetos de mobilidade urbana são desenvolvidos pela Secretaria de Transportes Metropolitanos ou pela administração do Estado em geral", diz a nota.

O PL também autoriza o governo a retirar isenções de impostos e conceder parques estaduais à iniciativa privada. O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) já se manifestou contrário ao PL e pediu que os deputados não aprovem o texto.

Recuo

Na semana passada, o governador João Doria (PSDB) e sua base de apoio na Alesp prometeram retirar ao menos três trechos da proposta do pacote fiscal. Entre eles, um artigo que obrigaria universidades estaduais e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) a repassarem seus superávits financeiros em 2019 à conta única do Tesouro estadual.

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Além disso, o líder do governo, deputado Carlão Pignatari (PSDB), se comprometeu em destacar do projeto a extinção de quatro entidades, as novas regras do Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD).

Com isso, podem ser poupadas de extinção a Furp (Fundação para o Remédio Popular), a Fosp (Fundação Oncocentro), o Imesc (Instituto de Medicina Social e de Criminologia) e o Itesp (Fundação Instituto de Terras). A exclusão das regras só deve ser garantida após o término da votação.

A base do governo criou uma exceção para as quatro entidades e também para três fundos ligados à segurança pública (Caixa Beneficente da Polícia Militar, Fundo Especial de Despesa da PM e Fundo Estadual de Segurança Contra Incêndios e Emergências), que foram dispensados de fazer a transferência de recurso. No entanto, a regra está mantida para as demais autarquias, fundações e fundos estaduais.

Em risco

O pacote ainda permitiria extinguir outras três estatais, além da CDHU e da EMTU: a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), Fundação Parque Zoológico e Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo).

Falta de quórum

O governo sofreu seguidas derrotas ao tentar colocar o ajuste fiscal em votação. Na quinta-feira (8), a base governista não conseguiu o quórum mínimo de deputados em plenário para dar início à sessão, pois deputados contrários ao projeto tem se negado a marcar presença para obstruir a votação.

O deputado Tenente Coimbra (PSL) chegou a assinar a lista de presença, mas pediu a retirada do seu nome, deixando o governo com apenas um parlamentar a menos em relação ao mínimo necessário.

*Com informações da Agência Estado

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