Exclusivo: há um mês, presos relataram problemas em Mongaguá

'Antes que alguém fale que queremos luxo, deixo claro que só queremos o mínimo necessário para viver com saúde', diz carta assinada por presos

Carta escrita por presos

Carta escrita por presos

Reprodução/R7

Em carta assinada por presos do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Mongaguá, no litoral de São Paulo, datada do dia 11 de fevereiro deste ano, havia sido relatado problemas com a alimentação e o fornecimento de água na unidade que registrou fugas nesta segunda-feira (16).

O texto diz que “a situação é precária” na unidade da Baixada Santista. De acordo com atualização da SAP-SP (Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo) do dia 13 de março, a unidade contava com 2.796 presos, mas tem capacidade para manter 1.640 detentos.

Na carta, os presos relatam como principais falhas na unidade a má alimentação, a falta no fornecimento de água e os problemas com a entrega medicamentos para enfermos. “Antes que alguém fale que queremos luxo, deixo claro que só queremos o mínimo necessário para viver com saúde”, diz a carta.

Os relatos também denunciam a pouca quantidade de medicamentos para atender os presos que ficam doentes. Além disso, quando os próprios familiares levam os remédios em visitas, “os funcionários não deixam entrar”.

Segundo a carta, “as condições na unidade de infraestrutura são as piores possíveis, uma cadeia antiga, bastante degradada".

Os presos também reclamam da falta de estrutura na cozinha para fazer as refeições. Eles dizem que a unidade é responsável por preparar a comida de outras unidades prisionais da região. No entanto, os alimentos são feitos “com muito sacrifício”, pois a unidade tem “uma cozinha pequena, que tem que produzir mais de 9.000 refeições diárias”.

No final de 2019, contam que ficaram 40 dias sem feijão nas refeições diárias — o grão era liberado apenas duas vezes por semana.

No final de janeiro, ainda de acordo com os detentos, devido a um problema causado “por falta de manutenção”, os presos ficaram por 10 dias tendo direito à água por apenas 30 minutos diariamente.

“O Estado nos trouxe para este lugar, eles têm o dever de nos dar as mínimas condições de sobrevivência. Não queremos luxo, queremos dignidade, condições de ressocialização”, complementou o desabafo dos detentos de Mongaguá.