Falta de padrão em redução de velocidade nas vias de SP confunde motoristas
Após mudanças, paulistanos convivem com variação de limite até de um quarteirão para outro
São Paulo|Do R7

A alteração da velocidade máxima nas ruas de São Paulo, medida que vem sendo implementada na cidade aos poucos, tem causado confusão entre os motoristas. Algumas ruas que passaram pelo Programa de Redução de Velocidade Máxima Regulamentada não têm como limite máximo os 50 km/h em toda sua extensão. Além disso, vias que ainda não foram padronizadas pelo programa também possuem mais de uma velocidade máxima e os motoristas acabam tendo que lidar com variações constantes e precisam ficar de olho nas placas de quarteirão em quarteirão.
É o que acontece na rua Clélia, por exemplo. A via localizada na zona oeste da capital teve a velocidade máxima reduzida de 60 km/h para 50 km/h em agosto de 2014. No entanto, entre a rua Crasso e a rua Sabaúna o limite passa para 30 km/h. Depois, a máxima volta para 50 km/h.
Valdir Cavalcanti, 44 anos, trabalha na rua e conta que antes da redução de velocidade não havia radares no local e agora há. Segundo ele, como a via é comercial e estreita, a velocidade máxima costuma ser baixa na região. Mas, mesmo assim, ele considera a medida prejudicial para os motoristas.
— É muita coisa, muita informação e confunde. Tem pegadinha e depois tem que lidar com as multas.
Cavalcanti trabalha com moto-frete e circula por toda a cidade. Para ele, a redução de velocidade em alguns locais prejudica o dia a dia nas ruas.
— A gente anda com medo de tomar multa, com medo dos radares. É uma indústria de multa pura.
Para o auxiliar administrativo Fernando Neiva, 35 anos, a quantidade de sinalização complica o trânsito na via.
— Causa confusão porque tem corredor de ônibus na direita e depois vai para a esquerda. É muita placa e às vezes o motorista até vê, mas o problema é que o pedestre não. E o pedestre não faz auto escola, ele não tem que saber tudo isso e ficar olhando essas placas que são para os carros.
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Na avenida Rio Branco, região central, a situação é ainda mais confusa. No sentido bairro, os motoristas enfrentam três limites de velocidade: 40 km/h, 60 km/h e depois 50 km/h. Segundo JR, 50 anos, taxista da região, a via — que não passou pelo programa da prefeitura — tinha velocidade máxima de 60 km/h em toda sua extensão. O taxista conta que a falta de padrão é prejudicial.
— Já faz um tempo que mudou e piora porque você fica em uma armadilha, confunde muito.
Roberto Carlos de Paula, 49 anos, trabalha na região e concorda com a medida. No entanto, para não correr risco de ser multado, passou a andar mais devagar.
—Tem que tomar cuidado. Eu ando só a 50 km para garantir.
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Ainda no centro de São Paulo, a variação de velocidade pode ser observada em outas vias. Na rua Ipiranga com a rua São João, por exemplo, o limite é de 50 km/h, mas um quarteirão à frente passa a ser 40 km/h.
Leandro e Bárbara, ambos de 38 anos, não aprovam a mudança.
— Está horrível, você anda muito devagar e dá até medo de ser assaltado. Além disso, em cada rua, é uma coisa e não dá para ficar olhando todas as placas, porque você para de prestar atenção no trânsito e pode causar um acidente.
Para Sebastião Silva, 28 anos, a mudança não deveria ser uma prioridade da cidade.
— Tanta coisa que poderia se preocupar e vai ficar mudando as velocidades das ruas?
Em nota, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) informou que 140 ruas passaram pela implementação do Programa de Redução de Velocidade Máxima desde agosto de 2014, sendo 11 no ano passado e 129 neste ano — até a última quarta-feira (4).
Sobre a variação das velocidades nas ruas citadas, a CET explicou que a padronização de 50 km/h será expandida para toda cidade. No caso da Rio Branco, a companhia informou que um trecho da via faz parte de outro programa da prefeitura, o Área 40, que também tem o objetivo de reduzir o número de vítimas no trânsito.
Além disso, ainda segundo a CET, "outras vias têm peculiaridades próprias, como curvas acentuadas, travessia nas proximidades de escolas, hospitais, lombadas físicas, valetas etc. Técnicos da CET avaliam cada caso. Assim, em várias vias onde já ocorreu a padronização, é possível observar variação de velocidade permitida".
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