Família morta após vazamento de gás passará por exames
Eles serão submetidos a um teste que medirá quantidade de monóxido de carbono no sangue das vítimas. Não há previsão de divulgação do resultado
São Paulo|Mariana Rosetti, da Agência Record, com informações da Agência Estado

Os corpos dos quatro familiares encontrados mortos no sábado (13), em um apartamento em Santo André, no ABC Paulista, serão submetidos a uma coleta de sangue e a um exame de carboxihemoglobina, que medirá a quantidade de monóxido de carbono contido no sangue das vítimas.
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De acordo com a Polícia Científica, o laudo pericial será entregue somente à Polícia Civil. Trata-se de um exame demorado e mais complexo que os demais laudos. Não há uma previsão de divulgação dos resultados.
Velório
Os corpos de Roberto, Kátia, Bárbara e Enzo Utima, serão velados nesta segunda-feira (15), no Cemitério Vale dos Pinheirais, na Avenida do Manacá, em Mauá, no ABC Paulista. O enterro da família será no mesmo local.
O caso
A família pode ter sido vítima do vazamento de gás do aquecedor instalado no local. A taxa de monóxido de carbono medida pela perícia no apartamento foi mais de 20 vezes o nível tolerado pela saúde.
Os corpos foram encontrados pela irmã de uma das vítimas, que morava no mesmo prédio e estranhou a falta de notícias dos parentes desde que ele chegaram de uma viagem à Disney, na noite de sexta-feira (12).
Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada às 12h02 para uma ocorrência de morte suspeita na Rua Haddock Lobo, na Vila Bastos. As vítimas não tinham sinal de violência.
A arquiteta Kátia Utima, de 47 anos, foi encontrada morta debaixo do chuveiro ainda ligado. O exaustor também queimava gás segundo o depoimento do cunhado do casal, Cláudio, à polícia.
A menina Bárbara, de 14 anos, estava no andar de cima da beliche, ainda com o cobertor intacto. O empresário Roberto, de 46 anos, estava abraçado ao filho Enzo, de 3 anos, na cama de baixo da beliche. As malas não haviam sido desfeitas.
A polícia desconfia que a mãe teria sido a última a tomar banho, após a família chegar de viagem, pois a filha mais velha já tinha ido dormir - e o pai ninava o mais novo. Com as janelas fechadas e o gás produzido durante todo esse tempo, teriam morrido todos ao mesmo tempo.
“Não foi encontrada nenhuma chaminé de exaustão”, diz o delegado Roberto Von Haydin, do 1.º DP de Santo André. Em junho, antes de viajar, as quatro vítimas já haviam sido atendidas por um médico com crises de vômito e outros sinais de intoxicação. Na época, porém, foram diagnosticadas com sinusite e desidratação. Na mesma semana, uma calopsita de estimação da família morreu.
O síndico do prédio disse à polícia que um técnico da Comgás foi chamado ao local, logo após os corpos terem sido encontrados. Ele informou que o equipamento de exaustão estava instalado de forma irregular.
Segundo Haydin, a polícia testou o equipamento, e encontrou os níveis intoleráveis. Tanto o perito quanto o médico-legista citam intoxicação e asfixia como causa provável da morte da família. “Nós vamos investigar quem tirou (a chaminé). Mas pode ter sido a própria vítima”, disse o delegado.












