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Famílias retiradas de prédio no centro de SP vão para outras ocupações

Reintegração de posse interditou rua Santa Ifigênia e cruzamento da avenida Ipiranga

São Paulo|Da Agência Brasil

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Cerca de 200 famílias ocupavam o local
Cerca de 200 famílias ocupavam o local

As famílias que estão sendo retiradas de um prédio na rua Santa Ifigênia, no centro da capital paulista, serão realocadas para outras ocupações também na região central, informou o movimento LMD (Luta por Moradia Digna). No local, a reintegração de posse, realizada a partir das 7h, foi acompanhada por policiais militares. Não foi registrado confronto.

Pelo menos sete caminhões foram disponibilizados para a retirada dos pertences dos moradores, que chegaram ao prédio há cerca de seis meses.


De acordo com Cristiane Mendes, uma das coordenadoras do grupo, o edifício de 12 andares está abandonado há pelo menos 15 anos.

— Estão tirando a gente daqui e mudando o problema de lugar. É isso que acontece sempre, já estamos acostumados. A luta continua.


Segundo ela 215 famílias moram no lugar.

— Aqui tem muita criança, são 78.


A Secretaria de Segurança Pública informou que, no local, há 282 moradores.

A ordem judicial para a desocupação foi expedida pelo juiz Sergio da Costa Leite, da 33ª Vara Cível do Foro Central, a pedido da Savoy Imobiliária e Construtora, dona do imóvel. A retirada estava prevista para ocorrer, inicialmente, no dia 28 de maio, mas foi adiada por 45 dias. Procurada pela reportagem, a empresa não se pronunciou até a publicação da matéria.


A auxiliar de limpeza Ana Rosemari de Araújo, 49 anos, estava no prédio há quatro meses.

— Nunca morei em ocupação. Vim por necessidade mesmo.

Há dois dias, ela teve que deixar a ocupação por ter discutido com um dos coordenadores.

— Agora tive que voltar para pegar as minhas coisas e o meu marido, que tinha ficado aí. Acho que vou para a casa da minha filha em Perus.

Ela disse que contribui com R$ 150 por mês. A coordenadora da LMD destacou que esse valor depende do espaço ocupado pela família e que os recursos são para pagar advogados.

A mãe de um dos moradores, Dilma Silva, 58 anos, chegou nervosa ao local.

— Vi que estavam desocupando e fiquei preocupada com o meu filho. Ele está aí com a mulher e dois filhos.

Ela explica que o filho é catador e mal consegue alimentar a família.

— Todo dia trago o café e o almoço. Ele só come quando consegue algum dinheiro na rua, catando.

Após conseguir autorização para entrar no prédio, ela conferiu que a família estava bem.

A Polícia Militar e a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) interditaram uma quadra da Rua Santa Ifigênia entre a Rua Cásper Líbero e a Avenida Ipiranga. Conhecida pelo comércio de itens eletrônicos, muitos lojistas e funcionários tiveram que esperar fora do bloqueio. O comerciante Eder Leal, proprietário de uma loja de videogames, aguardava, por volta das 9h30, para saber se poderia iniciar o expediente.

— Se durar o dia todo, vai ser um dia de prejuízo.

Por volta das 10h30, mais um trecho da rua foi liberado, mas a maior parte do comércio permaneceu fechada.

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