São Paulo Feriado em SP terá blocos nas ruas, e prefeitura diz que não haverá repressão

Feriado em SP terá blocos nas ruas, e prefeitura diz que não haverá repressão

Carnaval fora de época deve ser menor. Prefeitura ainda tenta organizar 'esquenta' oficial nos dias 16 e 17 de julho

  • São Paulo | Joyce Ribeiro, do R7

Feriado em SP terá blocos nas ruas, e prefeitura garante que não haverá repressão

Feriado em SP terá blocos nas ruas, e prefeitura garante que não haverá repressão

Divulgação / Bloco Me lembra que eu vou

Os desfiles dos blocos do Carnaval de rua serão retomados em São Paulo durante o feriado prolongado de Tiradentes, depois de dois anos de pandemia de Covid-19. Sem apoio da prefeitura na organização, a folia deve ser menor, com cerca de 5% dos 800 blocos cadastrados, e reunir moradores dos bairros.

A administração municipal pediu aos blocos que procurem as subprefeituras caso saiam nesse feriado para que as equipes de limpeza possam passar nos locais ao fim das festas.

Os organizadores do Carnaval afirmam que não haverá trio elétrico, os carros serão de tração manual e os músicos irão no chão. Foi acertado também que não haverá divulgação dos locais de concentração e horários, como de costume.

"Temos medo de represálias, por isso não vamos divulgar data. Antes o bloco reunia de 2.000 a 3.000 pessoas. Agora acho que virão umas mil. É uma questão de diversão da comunidade", conta Marco Ribeiro, coordenador do Bloco do Fuá e do Arrastão dos Blocos.

A secretária municipal de Cultura, Aline Torres, ressaltou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (20) que não haverá uso de força: "Não existe, na gestão do prefeito Ricardo Nunes, nem em sonho, a possibilidade de alguma atividade reaça, truculência com qualquer manifestação cultural ou artística. Não é o perfil do prefeito nem dos secretários da pasta".

Ainda de acordo com a secretária, a maioria dos blocos informou que desfilará em zonas periféricas da capital, sem interditar vias importantes da região central. Por isso a gestão não deve acionar a CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) para acompanhar as festas.

Em nota, prefeitura disse apoiar as manifestações culturais, mas "entende que, independentemente da dimensão dos blocos, todos os desfiles exigem atendimento às regras legais, planejamento prévio, definição de roteiros, alteração do sistema viário e de transporte público, infraestrutura sanitária, serviços de saúde e policiamento preventivo".

Outros eventos

No Sambódromo do Anhembi, na zona norte da capital, estão marcados para esta sexta-feira (22) e sábado (23) os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial.

Festas privadas também estão previstas entre os dias 21 e 24. Uma delas acontece no Vale do Anhangabaú, no centro, com shows, patrocínio e ingressos gratuitos para os foliões que se cadastrarem e apresentarem comprovante de vacinação.

Em defesa do Carnaval de rua, um manifesto foi divulgado e assinado por seis entidades. "Nos dias atuais, o cenário sanitário parece promissor e estável. Festivais, campeonatos esportivos, eventos religiosos e de negócios estão acontecendo normalmente. O sambódromo já está com a festa marcada e não há justificativa para proibir Carnaval de rua livre, diverso e democrático neste abril", escreveram.

Neste feriado, blocos prometem desfilar no chão, sem apoio de trio elétrico

Neste feriado, blocos prometem desfilar no chão, sem apoio de trio elétrico

Divulgação / Bloco Me lembra que eu vou

Esquenta em julho

A prefeitura pretende realizar outro Carnaval fora de época nos dias 16 e 17 de julho. O chamado Esquenta de Carnaval foi proposto pela Secretaria Municipal de Cultura.

Os interessados em desfilar deverão preencher um formulário, que será disponibilizado no site da Secretaria de Cultura, para cadastro dos blocos e organização. A alternativa foi apresentada em reunião entre representantes de entidades e a secretária Aline Torres. No encontro, foi definida a criação de um comitê permanente de blocos de Carnaval para melhorar o diálogo.

Para Marco Ribeiro, o importante é que haja garantia do direito à livre manifestação: "Não queremos apanhar e que a polícia haja com truculência. Vamos distribuir rosas amarelas e vermelhas de papel crepom para que não tenha confronto".

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que "as forças de segurança, como sempre fazem, atuarão preventivamente com vistas à manutenção da ordem pública, preservação do patrimônio e segurança da população. Inclusive com reforço no efetivo, se necessário".

Moradores e especialistas estão receosos pelos impactos na cidade, como limpeza urbana, trânsito, segurança e transporte, uma vez que os eventos serão espontâneos e não contarão com banheiros químicos, por exemplo, nem ambulâncias.

Para minimizar os impactos, os organizadores afirmam que fizeram parcerias com catadores de recicláveis e vão pagar o trabalho de varredores na área da concentração.

Últimas