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‘Fiquei 2 dias no carro e me hidratei com refrigerante’, diz sobrevivente da tragédia no litoral de SP

A vítima chegou a entrar na lista de desaparecidos. As chuvas que atingiram a região deixaram ao menos 48 mortos

São Paulo|Do R7

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Chuva instaurou o caos no litoral norte de São Paulo, principalmente em São Sebastião
Chuva instaurou o caos no litoral norte de São Paulo, principalmente em São Sebastião

O produtor musical Helder Lucas havia deixado Maresias rumo ao centro de São Sebastião na noite de sábado (17), em companhia de integrantes da banda Riva Decibéis para acompanhar a apresentação do grupo, mas a chuva forte suspendeu o show. “Começava ali o cenário de terror”, conta o produtor. A reportagem é do jornal O Estado de S. Paulo.

Helder Lucas chegou a entrar na lista de desaparecidos
Helder Lucas chegou a entrar na lista de desaparecidos

O temporal que atingiu o litoral norte de São Paulo no fim de semana foi o maior registrado na história do Brasil. O acumulado foi de 626 mm em São Sebastião, que deixou ao menos 46 mortos na região, sendo 45 no município.

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Helder escapou, mas perdeu sua casa. “Na serra de Maresias, caiu um raio sobre meu carro. Passei debaixo do tronco de uma árvore imensa, e começou um mar de lama na minha frente. Dormi no meu carro, no pé da serra, sem água e internet. Fiquei dois dias no carro, me hidratei com um refrigerante que restava comigo, sem banho, sem comida”, conta.

Somente quando conseguiu chegar ao centro da cidade é que os amigos contaram que sua casa havia desabado com a chuva. “Eu constava na lista de pessoas desaparecidas. Ainda penso como retomarei minha vida.” Atualmente, segundo o governo do estado, são 1.730 desalojados e 766 desabrigados.

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Deslizamentos e mortes

O motoboy Vanderlei Tavares, “nascido e criado em São Sebastião, morador de Camburi”, trabalha em uma pizzaria e esteve na Vila Sahy momentos antes de um deslizamento matar dezenas de pessoas. O local é o epicentro da tragédia no litoral norte. Lá viviam cerca de 650 pessoas.

“Por volta de 21h, peguei uma entrega para a Vila Sahy, rua 1. Quando cheguei lá, já não consegui entrar na rua porque estava alagada. Tive de dar a volta por uma outra travessa e fiz a entrega em cima do morro. Estava com muito medo, descia muita água pela rua”, conta.

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Tavares lembra que às 22h30 já não dava mais para trabalhar, porque todos os lugares estavam inundados. “Cheguei em casa, nem dormi, fiquei acordado até 4 da manhã, vendo os pedidos de socorro sem poder fazer nada.”

A chuva afetou também o sistema de fornecimento de água no litoral norte. Várias regiões estão sem água, como Camburi. “Minha casa tem um metro e meio de altura, e mesmo assim entrou água na garagem. Inundou o piso do carro, entrou em casa, na cisterna, e agora estamos sem água. O terreno inteiro foi devastado”, conta Edson Lobato, consultor e gestor ambiental.

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