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Fiscalização da nova lei seca esvazia bares

Movimento reduziu 50%; em alguns bares, funcionários foram demitidos e o horário, reduzido

São Paulo|Do R7

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Além do bafômetro, outras provas, como vídeos e relatos de testemunhas, podem ser usadas para confirmar a embriaguez
Além do bafômetro, outras provas, como vídeos e relatos de testemunhas, podem ser usadas para confirmar a embriaguez WERTHER SANTANA/AE

Desde que as regras da lei seca ficaram mais rigorosas para motoristas, a boêmia Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, ficou mais vazia. As novas regras reduziram em 50% o movimento de consumidores nos bares e restaurantes da região, afirma o presidente da Ageac (Associação de Gastronomia, Entretenimento, Arte e Cultura da Vila Madalena), Flavio Pires. Em alguns bares, funcionários foram demitidos e o horário, reduzido.

Desde dezembro, quando a nova lei seca foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff, foi instituído, na prática, a tolerância zero de álcool no trânsito em todo o País. O infrator tem de pagar multa de R$ 1.915,40. Além do bafômetro, outras provas, como vídeos e relatos de testemunhas, podem ser usadas para confirmar a embriaguez.


Na Vila Madalena, taxistas e clientes relatam blitze frequentes. O gerente de vendas Carlos Afonso Lopes Júnior, que não bebe, já resgatou vários amigos retidos pela fiscalização.

— Tenho amigos que evitam vir pra cá por causa da lei seca. Depois desse aperto que houve, a frequência diminuiu bastante.


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Quem não arrisca dirigir sob efeito de álcool tem poucas opções de transporte. O horário de funcionamento da Estação Vila Madalena do Metrô, da Linha 2—Verde, vai até 0h14 nos dias de semana e 1h de sábado para domingo. A frequência das linhas de ônibus é menor depois da 0h na região. Sobram os táxis, que nem todos podem pagar e que ainda assim não são suficientes para atender à demanda. A falta de transporte adequado é um problema, segundo Flávio Pires.


— Os comerciantes estão desanimados com essa situação. A gente concorda com a legislação, mas o órgão público precisa dar uma estrutura adequada de transporte.

Segundo ele, nenhum representante do Estado procurou os empresários para propor soluções ou explicar a nova lei seca.

Na falta de clientes, a vida noturna da região tenta se adaptar. Dono do Bar Jacaré Grill há 22 anos, Marcelo Silvestre diz que este mês o movimento caiu entre 30% e 40%, com forte redução no consumo de cerveja.

— Perdi muitos clientes. Não temos transporte público para uma lei como essa.

Ele e outros empresários da região tentam criar soluções para atrair o público, como oferecer, de graça, jantar e cerveja sem álcool, sem muito sucesso. Os empresários da Vila Madalena devem se reunir para planejar uma campanha sobre a lei seca voltada ao consumidor, diz o presidente da Ageac.

O comportamento do funcionário público Daniel Bertelli reflete a atitude de frequentadores da região. Ele passa a noite à base de refrigerante.

— Dirijo moto. Qualquer quantidade de álcool interfere.

Colegas de Bertelli acabam bebendo em outros lugares menos visados ou em casa.

O Detran disse que faz parte das diretrizes do programa Direção Segura uma "aproximação com os empresários".

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