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Fracasso na Bahia, chip no uniforme é aprovado na Câmara de São Paulo

Projeto semelhante ao de Camilo Cristófaro custou R$ 1,1 mi e foi descartado

São Paulo|Peu Araújo, do R7

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Câmara aprovou chip em uniforme
Câmara aprovou chip em uniforme

Descartado por falhas técnicas menos de um ano após sua implementação, em 2012, na cidade de Vitória da Conquista (BA), o uso de chip no uniforme escolar foi aprovado nesta quarta-feira (4), em segunda votação, pela Câmara Municipal de São Paulo. Criado pelo vereador Camilo Cristófaro (PSB), o projeto de lei que pretende atingir alunos do ensino fundamental (do 2º ao 5º ano) segue para a sanção do prefeito João Doria (PSDB).

“É uma ideia que eu tenho há uns 10 anos”, revela o vereador. Ele afirma que os chips reduzirão a evasão escolar e ajudarão na segurança dos alunos. “A pessoa responsável pela criança receberia a mensagem de texto ‘seu filho acabou de adentrar ao colégio’ e na saída ‘seu filho acabou de sair do colégio’.”


Cristófaro afirma que, para saber se a ferramenta é viável, falou com empresas como Oracle e IBM. “A tecnologia é a mesma que se usa para entrar com estoque em loja, a mesma de quando você passa o cartão de crédito no banco e é avisado pelo celular.”

Integrante da base do governo João Doria (PSDB), o vereador afirma ainda que o plano é começar apenas com os alunos do 2º ano e progressivamente estender a todo o ensino fundamental, que segundo ele, corresponde a 180 mil crianças. “Podemos deixar para o segundo semestre do ano que vem, mas uma hora tem que começar. Eu já conversei com o prefeito. Ele acha que não é fácil implantar, porque é novidade, mas como ele é um homem de tecnologia ele acha a ideia muito boa.”


A também vereadora Sâmia Bomfim, que integra o grupo de dez parlamentares que votaram contra o projeto, criticou a aprovação. “Está faltando merenda, falta transporte escolar, falta, inclusive, uniforme. Essa questão da instalação de chips, de longe, não deveria ser uma prioridade nas discussões do poder público.”

A Prefeitura de São Paulo afirmou ao R7 que não comenta projeto de lei.


Motivos do fracasso

Implementado em Vitória da Conquista ao custo de R$ 1,1 milhão para 18 mil (10% do total de estudantes que o projeto pode atingir em São Paulo), o programa durou menos de um ano.


Coriolano Ferreira de Moraes Neto, vereador da cidade baiana e secretário de educação no período do projeto, afirma que a proximidade com o aeroporto interferiu nos pousos e decolagens e, por recomendação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), algumas torres foram retiradas.

A mudança fez com que os pais passassem a receber as notificações com atraso. “O portal fazia leitura, mas quando os pais recebiam a mensagem já se tinha passado o tempo hábil. Havia muitas reclamações dos pais por isso.”

Apesar de não ter dado certo, o vereador afirma que o projeto foi positivo.

Ao ser questionado sobre o fracasso do projeto na Bahia, Camilo Cristófaro se esquiva. “Eu acredito em São Paulo, Vitória da Conquista é outra história. São Paulo é diferente de tudo. Tudo que cabe a São Paulo cabe ao Brasil, mas nem tudo que cabe ao Brasil cabe a São Paulo. Nós somos uma vitrine para tudo.”

Especialistas criticam

Neide Noffs, professora do departamento de educação da PUC-SP, discorda da proposta. “É preciso mais profissionais qualificados nas escolas, mais projetos articulados de tal forma que o aluno não queira sair da escola.” Ela ainda acrescenta que o controle sugerido pelo vereador “reduz a oportunidade da escola ser prazerosa.”

A professora usa o exemplo do atentado realizado na cidade mineira de Janaúba para explicar que o controle não está relacionado à segurança dos alunos. “O que aconteceu hoje em Minas Gerais foi dentro da escola, o próprio funcionário se desequilibrou.”

Quem também discorda do projeto é a doutora em psicologia e educação pela USP Nadia Aparecida Bossa, pesquisadora de neurologia do Hospital das Clínicas. Ela aponta que este controle está relacionado com a falta de responsabilidade dos pais e acrescenta. “Para um jovem burlar essa ferramenta não é difícil. Ele pode perfeitamente deixar a camiseta na escola e sair.”

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