Funcionária da USP assume morte de estudante ocorrida em 2019

Supervisora de Filipe Leme, de 21 anos, pediu que o jovem carregasse um armário de uma sala para outra. Ao usar o elevador, o móvel caiu sobre ele

Felipe Leme morreu aos 21 anos

Felipe Leme morreu aos 21 anos

Reprodução/Record TV

Uma funcionária da Universidade de São Paulo (USP) assumiu a responsabilidade pela morte do estudante Filipe Varea Leme, de 21 anos, que ocorreu no dia 30 de abril de 2019.

Filipe era estudante de geografia na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP e trabalhava como monitor de informática na Poli (Escola Politécnica), também da universidade.

Durante a tarde, a supervisora de Filipe, Elizabeth Maciel, pediu para que o jovem carregasse um armário de uma sala para outra. O estudante utilizou o elevador para realizar o transporte e o móvel acabou caindo sobre ele. Filipe morreu no local.

Segundo Euro Bento Maciel Filho, advogado que representa a família no processo criminal, após o acidente, a USP entrou com uma sindicância interna que concluiu que ninguém da instituição teve responsabilidade na morte de Filipe.

Enquanto isso, uma investigação criminal corria pela polícia. Foram coletados testemunhos e material para perícia. A promotora do Ministério Publico de São Paulo Amaitê Iara Girboni de Mello entendeu que houve negligência e que havia crime e autoria.

A supervisora, ao mandar Filipe realizar um serviço em que ele não estava apto, praticou um ato de negligencia.

Em um primeiro momento, os advogados de Elizabeth e a promotoria fizeram um acordo, sem que a supervisora assumisse o crime de homicídio culposo, que é quando não há a intenção de matar.

A equipe de defesa entrou com uma ação pedindo pela anulação do acordo. Segundo Maciel Filho, devido à aprovação do "Pacote Anticrime", a promotora propôs a assinatura do "Acordo de Não Persecução Penal", que prevê as penas sejam inferiores a quatro anos, na condição da confissão do investigado.

Durante a audiência, ocorrida no último dia 2 de outubro, a supervisora assumiu o crime de negligencia que causou a morte de Filipe.

Ela deverá, por oito meses, prestar serviços à comunidade. Após esse período, ela sairá como réu primária, ou seja, sem antecedentes criminais. O MP-SP não apresentou denúncia contra Elizabeth, uma vez que foi assinado o acordo.

Agora a família aguarda o processo de indenização da USP, que é comandado pelo advogado Rogério Licastro de Mello. Ainda segundo a defesa, a família de Filipe não recebeu qualquer tipo de auxílio ou amparo da universidade.

O MP-SP disse que não irá se pronunciar sobre o caso. A USP não se manifestou até a publicação desta nota.

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