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Governo de SP detalha plano para reabrir economia a partir de 11/5

Governador do estado, João Doria, já havia anunciado que algumas cidades poderão flexibilizar medidas quando terminar quarentena

São Paulo|Do R7

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Ponte Octavio Frias de Oliveira, na zona sul de São Paulo, vazia durante a quarentena
Ponte Octavio Frias de Oliveira, na zona sul de São Paulo, vazia durante a quarentena

O governador João Doria oficializou nesta quarta-feira (22) a retomada gradual de setores da economia em São Paulo a partir do dia 11 de maio, quando termina o período de quarentena no estado determinado para conter o avanço do novo coronavírus. 

O chamado "Plano São Paulo" prevê que de forma "gradual, heterogênea e segura" seja possível a reabertura dos setores que precisaram parar nesta pandemia, embora o governo afirme que 74% da atividade econômica continua funcionando desde 24 de março, quando foram impostas as restrições.

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No dia 8 de maio, "se todas as circunstâncias permitirem", o governo deve especificar como cada setor poderá retomar suas atividades e em quais localidades, afirmou Doria.

"Ninguém falou aqui, nem falará, mas é importante deixar claro, que estamos anunciando que no dia 11 de maio não teremos mais nenhuma quarentena. Teremos o Plano São Paulo, flexível, amparado sempre na ciência, na medicina, nas questões regionais, em dados analíticos e também na economia", frisou o governador.

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"São Paulo não parou", lembrou Doria. "A reabertura será após o dia 11 de maio. A epidemia atinge de maneira diferente todas as regiões do estado, portanto, serão critérios diferenciados. A economia foi reduzida em função da doença. De nada adianta abrir o comércio se não tem quem compre e colocando em risco seus funcionários.

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A medida já havia sido anunciada pelo governador na segunda-feira (20). Em publicação nas redes sociais, Doria afirmou que "a quarentena será mantida exatamente como está, até 10 de maio.

São Paulo é o estado que registra o maior número de casos e óbitos por covid-19 em todo o país. São 15.385 registros, incluindo 1.093 mortes, segundo o boletim de ontem. 

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Todos eventos com aglomeração de pessoas estão proibidos no estado. Os shoppings tiveram que fechar as portas, assim como lojas de rua consideradas não essenciais. As aulas nas redes pública e particular também estão suspensas.

Bares e restaurantes podem abrir, desde que vendam produtos apenas para entrega. Supermercados, farmácias, clínicas médicas e odontológicas estão autorizados a funcionar. 

Como vai funcionar

O governo vai levar em conta a situação da epidemia em cada região do estado, a capacidade do sistema hospitalar e a testagem em massa da população. 

Cada setor que venha a ser liberado terá protocolos sanitários específicos, que poderão variar para shoppings, fábricas e escritórios, por exemplo.

"Em hipótese alguma faremos uma abertura desordenada, com flexibilização aleatória ou desrespeitando os critérios da saúde e da ciência", disse a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen.

Será utilizado um sistema de mapeamento das regiões mais críticas, com uma escala de classificação: vermelho, amarelo e verde. Este último nível vai considerar o baixo número de casos, baixa taxa de ocupação de leitos de UTI e testes de covid-19 disponíveis.

No momento, as regiões de São Paulo estão em vermelho ou em amarelo. 

"Estamos na fase de ascensão da curva, ela é setorial. A verdade da área metropolitana de São Paulo é diferente do interior e, seguramente, a do estado de São Paulo [é diferente] de outros estados. Por isso que nós temos o monitoramento constante, diário, para o entendimento do dia a dia. Perseguimos a geografia, a geodistribuição [da doença], curvas epidemiológicas, curvas estatísticas diárias. Acompanhamos justamente para gerar a melhor e mais segura informação", detalhou o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, David Uip.

A testagem rápida, que detecta os anticorpos e identifica quem já teve contato com o vírus, é outra base para garantir a reabertura da economia.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que já existe um plano para a realização desses exames em setores específicos, como segurança pública, profissionais da saúde e demais serviços essenciais. 

Quarentena

O isolamento social começou em todos os 645 municípios paulistas no dia 24 de março e foi prorrogada duas vezes: uma até o dia 22 de abril e a segunda, até o dia 10 de maio.

Em entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes, João Doria justificou a decisão como forma de "evitar o colapso" dos sistemas de saúde público e privado. 

A meta do governo é de manter o isolamento social em 70%, que permitiria atender os pacientes com covid-19 dentro da capacidade dos hospitais do estado. No entanto, o Centro de Contingenciamento tem considerado adequada a faixa entre 50% e 60%.

Mesmo as "cidades campeãs", com a maior taxa de isolamento, não conseguiram atingir a meta. A taxa de isolamento social na capital e no estado na terça-feira, um feriado, ficou em 57%, segundo o governo. 

"Das cidades com maior índice de isolamento no estado, na data de ontem, nenhuma cumpre a meta de 70%

A primeira da lista é São Sebastião (67%), seguida por Ubatuba e Cruzeiro (64%), Lorena (63%) Caraguatatuba e Ribeirão Pires (61%), Itanhaém, São Vicente, Mairiporã, Caçapava, Cajamar, Caieiras, Bebedouro e Pindamonhangaba (58%), Ibiúna e Poá (57%), Itapecerica da Serra,Votuporanga, Pirassununga e Guaratinguetá (56%).

Os números são obtidos a partir de informações fornecidas pelas redes de telefonia móvel e não são individualizados, para não haver violação da Lei de Proteção de Dados. 

Protestos

Durante o feriado, manifestantes protestaram contra as medidas de isolamento social do governo do estado.

No sábado (18), uma carreata percorreu percorreu mais de 10 km e terminou durou cerca de oito horas em um trajeto que começou perto da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e terminou na altura da Ponte Estaiada, na zona sul de São Paulo.

Nesta quarta-feira, Doria criticou os atos e chamou os manifestantes de "defensores e amigos do vírus e inimigos da vida".

O governador disse que a polícia vai impedir que avenidas em qualquer cidade do estado voltem a ser fechadas.

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