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Greve na Unesp e na Unicamp? Veja situação nas universidades após paralisação na USP

Crise nas universidades é agravada pela falta de docentes e falta de serviços básicos

São Paulo|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudantes da USP estão em greve desde 14 de abril, buscando melhorias em assistência estudantil.
  • A Unesp e a Unicamp estão considerando aderir ao movimento, com assembleias e paralisações anunciadas.
  • A mobilização foi impulsionada pela morte de uma professora durante aula na USP, evidenciando a falta de políticas de emergência.
  • Governador critica o movimento estudantil e destaca a política salarial em disputa, com negociações sem acordo até o momento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Universidades de São Paulo vivem um momento de intensa mobilização Thomaz Marostegan/Unicamp

As universidades estaduais de São Paulo vivem um momento de intensa mobilização dos estudantes, que buscam melhorias na permanência estudantil, moradia e alimentação.

Paralelamente, docentes e servidores pressionam por recomposição salarial.


Desde 14 de abril, estudantes da USP (Universidade de São Paulo) estão em greve. Na Unesp (Universidade Estadual Paulista), paralisações nesta terça (5) e na quarta-feira (6), apontam uma possível adesão ao movimento.

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A Unicamp (Universidade de Campinas) vai deliberar sobre o tema em assembleia nesta quinta-feira (7).


Algumas reivindicações se repetem nas três instituições, como mais investimentos em permanência estudantil, ampliação de moradia e melhoria na alimentação.

Na Unesp, estudantes denunciam falta de docentes, sobrecarga de servidores e dificuldades crescentes para se manter na universidade.


De acordo com o Diretório Central dos Estudantes, a crise se expressa na “precarização do ensino, pesquisa, extensão e permanência estudantil”.

Em resposta, a Coordenadoria de Permanência Estudantil da Unesp diz ter atendido 7.746 estudantes de cursos de graduação com algum tipo de auxílio em 2025, o que representa mais de 20% do total, um recorde para a universidade.


Ainda de acordo com a reitoria, 17 unidades da Unesp já possuem ao menos um restaurante universitário, e a expectativa é que outro seja inaugurado ainda este ano.

O estopim para a mobilização dos alunos foi a morte da professora Sandra Regina Campos durante uma aula no Instituto de Artes, na capital.

Vítima de um mal súbito, ela morreu em meio à sua aula na noite de 7 de abril. Estudantes afirmam que a universidade não contava com uma política de emergência médica nem ambulatorial.

Quanto ao protocolo de emergência, a direção “reconhece que a resposta recente poderia ter sido mais coordenada, embora o atendimento à professora Sandra Campos, cujo falecimento lamentamos profundamente, tenha seguido os procedimentos adequados de suporte básico e avançado à vida”, diz nota da reitoria da Unesp.

Os estudantes do Instituto de Artes, onde a professora morreu, permanecem paralisados.

Negociações encerradas na USP

Na USP, as negociações foram encerradas pela reitoria após três rodadas sem acordo. O principal impasse gira em torno do valor do auxílio estudantil chamado Papfe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil).

Enquanto a universidade propõe reajuste com base na inflação, elevando o benefício integral para R$ 912, os estudantes defendem a equiparação a um salário mínimo paulista, hoje em R$ 1.804.

Mais de 100 cursos seguem paralisados. Do lado estudantil, a crítica é de falta de diálogo efetivo. A reitoria, por sua vez, afirma ter apresentado propostas e fala em avanços.

Neste contexto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entrou no debate, adotando um tom crítico em relação ao movimento estudantil.

“Se eu fosse estudante, eu estaria estudando o máximo que eu pudesse, aproveitando com unhas e dentes as oportunidades”, disse. “Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes. Estudante, na minha opinião, tem que estudar.”

O governador afirmou ainda que o movimento tem conotação política. “A greve tem um cunho político, isso está bastante claro. Eu lamento a perda de oportunidade. A gente está falando de uma universidade de ponta, que tem um recurso garantido do estado.”

Estudantes da Unicamp discutem greve

Os estudantes da Unicamp vão discutir a possibilidade de greve nesta quinta-feira. Entre as principais reivindicações estão:

  • reforma da moradia estudantil na cidade de Limeira;
  • ampliação dos serviços de atenção à violência sexual, étnico-racial e de apoio psicológico;
  • fim da precarização dos restaurantes e dos ônibus;
  • impedimento da tentativa de privatização de áreas de saúde vinculadas à universidade, como o Hospital das Clínicas, Gastrocentro e CAISM (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental).

A reitoria da Unicamp informou que “as negociações transcorrem normalmente com integrantes das entidades representativas”.

Negociação dos servidores e docentes

O movimento de reivindicação dos alunos nas três universidades corre paralelamente aos pleitos dos docentes e servidores.

Terminou sem acordo salarial a reunião do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo) com o Fórum das Seis, articulação sindical e estudantil que reúne representantes de docentes, funcionários e alunos da USP, Unicamp, Unesp e Ceeteps (Centro Paula Souza). Uma nova reunião está marcada para o dia 11.

O reajuste oferecido foi de 3,6%, percentual estimado para a inflação calculada pelo IPC-Fipe de maio/2025 a abril/2026, ain­da não fechado.

O Fórum insistiu na necessidade de uma política de recuperação salarial, tendo como meta a recomposição do poder de compra dos salários em maio/2012. A reivindicação estima esse índice em 15,97%.

No centro das disputas está também o futuro do financiamento das universidades. Hoje, USP, Unicamp e Unesp recebem 9,57% da arrecadação do ICMS.

Com a reforma tributária, a substituição do imposto pelo IBS até 2033 deve reduzir essa fonte de receita, o que aumenta a incerteza.

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