Homem que matou companheira diz em carta: 'ela tem me decepcionado'
Após o fim de um relacionamento de um ano e seis meses, ele invadiu o escritório da vítima e escreveu: tomo antidepressicos e medicamentos
São Paulo|Do R7

Um homem que matou a namorada e se suicidou em Campinas, no interior de São Paulo, na sexta-feira (3), deixou uma carta em que alega ter sofrido de depressão e afirma que a companheira Camilla Rodrigues Barros, de 29 anos, havia o decepcionado. "Eu até tinha aceitado a separação, porém a Camilla tem me decepcionado demais."
O caso foi registrado como feminicídio e ocorreu por volta das 18h09 da sexta-feira. Ela foi abordada por seu ex-companheiro, Luiz Ferreira da Silva, de 40 anos, no momento em que saía do trabalho. Camilla, de 29 anos, era administradora de empresas e trabalhava em um escritório de contabilidade.
Segundo relato de familiares, ela já havia relizado um boletim de ocorrência contra ele por agressão. O relacionamento durou um ano e seis meses. "Ele invadiu o trabalho dela e a matou covardemente", afirma Katia Loiola, tia da jovem. O homem teria aproveitado o portão do local que estaria aberto.
Nas redes sociais, Luiz Ferreira da Silva deixou uma carta de descreve como era o relacionamento com Camilla em sua opinião e relata problemas psicológicos. "Saindo do serviço fui direto para o médico que, de imediato, me encaminhou para o psquiátra que me afastou, hoje eu tomo dois antidepressicos e mais um medicamento para dormir. Sentindo uma falta terrível, uma saudade inexplicável, tentei voltar atrás na minha decisão. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, cada um segue sua vida", escreveu.
Câmeras de seguranaça podem ter registrado a invasão do escritório momentos antes do crime. Números da central que atende denúncias anônimas de violência contra a mulher, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que de janeiro a outubro foram registrados 3.664 denúncias e 984 em 2018.
A mulher deixou um filho de sete anos. Segundo familiares, Camilla dizia que 2020 seria um ano de muitas surpresas, de coisas boas. Um dos sonhos dela, contam parentes, era de se casar.
O caso
A Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de roubo de estabelecimento comercial. Ao chegar no endereço, encontrou um homem e uma mulher baleados no interior do estabelecimento. A mulher teve a morte constatada no local e o homem foi socorrido e levado ao Hospital Unicamp, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.
De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o caso foi registrado pelo plantão da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas. O corpo de Camilla será velado, a partir das 15h30 deste sábado (04), no Cemitério Parque Hortolândia, em Hortolândia, no interior de São Paulo.
A taxa de feminicídio no Brasil é a 5ª maior do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Este tipo de crime foi um dos que mais aumentou no país em 2019. Nos primeiros nove meses do ano, os casos de feminicídio cresceram quase 30% em São Paulo, e...
A taxa de feminicídio no Brasil é a 5ª maior do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Este tipo de crime foi um dos que mais aumentou no país em 2019. Nos primeiros nove meses do ano, os casos de feminicídio cresceram quase 30% em São Paulo, em relação a 2018. No estado, foram 121 mortes de mulheres entre janeiro e setembro, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Crimes, muitas vezes, cometidos dentro de casa, por maridos ou ex-companheiros. Um estudo aponta que 8 em cada 10 assassinatos de mulheres acontecem diante dos filhos. Um dos casos mais recentes foi o de Joyce Mara Sanches, de 34 anos, assassinada no início de dezembro, em Sertãozinho, no interior de São Paulo. Ela sofria ameaças do ex-marido Gerson Aparecido Machado, de 39 anos, desde a separação do casal. Após matar a ex-mulher com quatro tiros, o suspeito tentou tirar a própria vida. O casal tinha um relacionamento de 18 anos e dois filhos de 13 e 5 anos de idade.

































