São Paulo Jovem que planejou ataque a escola no interior de SP alega ter sofrido bullying

Jovem que planejou ataque a escola no interior de SP alega ter sofrido bullying

Com uma suástica nazista, o adolescente arremessou bombas na Escola Municipal Vista Alegre, em Monte Mor, nesta segunda

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Jovem aprendeu a montar as bombas caseiras sozinho, por meio das redes sociais

Jovem aprendeu a montar as bombas caseiras sozinho, por meio das redes sociais

Reprodução - 13.02.2023

Apreendido após ter lançado bombas na Escola Municipal Vista Alegre, na cidade de Monte Mor, no interior de São Paulo, nesta segunda-feira (13), o adolescente de 17 anos afirmou durante depoimento na delegacia que sofria bullying nessa unidade.

De acordo com o delegado Fernando Bueno de Castro, da Delegacia de Monte Mor, responsável pela investigação, o jovem afirmou que chegou a quebrar o braço de um colega em uma briga. Aos 14 anos, ele parou de estudar e deixou a escola, alvo do ataque. Desde então, ele "vivia trancado no quarto e não saía de casa".

“É uma pessoa psicologicamente abalada. Ele não fala muito. Só aquilo que você pergunta. Na deepweb, ele começou a se relacionar em fóruns de cunho nazista e de terrorismo", contou o delegado. O adolescente também aprendeu sozinho a montar as bombas de pregos e os coquetéis molotov por meio das redes sociais.

À Polícia Civil, ele ainda declarou que estava estudando o plano de ataque havia cerca de três anos. Inicialmente, o jovem disse que outra pessoa teria participado da ação; porém, posteriormente, ele voltou atrás e alegou ter agido sozinho.

"Poderia ter machucado muita gente. A bomba que ele soltou foi a de prego, mas a outra tinha um poder lesivo bem maior", afirmou Fernando Bueno de Castro.

Ataque

Armado com bombas caseiras, combustível, uma machadinha e um fuzil falso, o adolescente foi até a Escola Municipal Vista Alegre com o carro da mãe, na manhã desta segunda-feira (13). Na unidade, também funciona a Escola Estadual Professor Antônio Sproesser no período da tarde e noite.

No momento do ataque, ele vestia roupas pretas e uma braçadeira com a suástica nazista. O jovem, ex-aluno da instituição, arremessou as bombas de prego, mas não chegou a entrar na escola. Apesar do susto, de acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o artefato explodiu um vaso sanitário e não deixou feridos.

Um fuzil falso e um revólver foram apreendidos

Um fuzil falso e um revólver foram apreendidos

Reprodução/Record TV

Na residência dele, a Polícia Civil apreendeu uma arma de airsoft, material alusivo ao nazismo — como livros sobre o ditador Adolf Hitler — e um computador. Após algumas horas, a investigação também localizou uma arma de fogo, com seis balas.

Também chamou a atenção dos investigadores um caderno no qual o jovem escreveu sobre o atentado. No texto, ele dizia que estava "motivado por ódio e rancor". Para o delegado, ele tinha raiva da instituição e dos alunos, mas ainda não há confirmação se havia um alvo específico.

A perícia do Instituto de Criminalística vai analisar o tipo de conteúdo e redes sociais que o ex-estudante acessava para determinar se ele, de fato, fazia apologia ao nazismo.

De acordo com o delegado, ele vai responder por ato infracional análogo ao porte ilegal de arma e por atos terroristas. Depois do registro do boletim de ocorrência, o adolescente foi encaminhado a uma unidade da Fundação Casa.

"A Secretaria de Educação de Monte Mor, devido ao episódio ocorrido na E.M. Vista Alegre, nesta segunda-feira (13), pôs à disposição dos alunos, de seus familiares, do corpo docente e dos funcionários da unidade de ensino o suporte de atendimento psicológico para acolhimento a todos os que precisarem do amparo e manterá de plantão, a partir desta terça-feira (14), o serviço psicológico, promovido pelas profissionais da equipe da Secretaria de Educação", informou a prefeitura.

A Secretaria Estadual de Educação também lamentou o ocorrido e afirmou que as aulas na rede estadual deverão ocorrer normalmente após a perícia ser realizada. "O caso está sendo registrado na Plataforma Conviva (Placon) e também no boletim de ocorrência. A equipe gestora da escola continua à disposição da comunidade escolar."

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