Júri de Osasco: advogado revela nomes de jurados diante dos réus
Promotor classificou a revelação como "uma tática baixa"
São Paulo|Peu Araújo, do R7

No quarto dia de julgamento da chacina de Osasco e Barueri, o advogado do policial militar Fabricio Emmanuel Eleutério, Nilton Nunes, falou o nome dos sete jurados na frente de seu cliente, do PM Thiago Barbosa Henklain e do GCM (Guarda Civil Municipal) Sérgio Manhanhã, todos réus do caso. O advogado ainda citou a profissão de dois dos jurados.
Para o promotor de Justiça do caso, Marcelo Alexandre de Oliveira, a fala do advogado de defesa foi "uma tática baixa", e disse estar indignado com a situação.
— Isso vai ser exaustivamente criticado por mim amanhã de manhã.
O promotor diz que nunca viu tal atitude em um plenário, mas destaca que o procedimento não é ilegal.
Apesar de ser o único a ter tal abordagem, o advogado afirma que "não há nenhuma proibição, não faltei com a ética em nenhum momento".
PM acusado de chacina teve acesso a dados de testemunha protegida
Quarto dia
Nesta quinta-feira (21), o julgamento da chacina de Osasco e Barueri, que deixou 17 pessoas mortas e 8 feridas, começou com a fala do promotor Oliveira, que durou 2h30 das 3h disponíveis.
Ele abriu a fala, às 10h36, com 20 minutos de agradecimentos e homenagens a todos que estavam no plenário.
A maior parte de sua fala, 1h11 foi dedicada a desarticular os álibis e a defesa do policial militar Fabricio Emmanuel Eleutério, de 32 anos.
Ele cita o desentendimento do PM, que faz parte da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), com outro policial no presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
Segundo o promotor, antes de agredir outro colega teria dito a seguinte frase:
— Você vai ver como a Rota mata ladrão, a sua sentença já está assinada.
O promotor afirmou que "o medo também contamina o processo", e isso pode ser um dos fatores a determinar a decisão dos jurados.
Ele alega ainda que o fato de Eleutério ter se apresentado como testemunha protegida Danilo atrapalhou o andamento da investigação e repudiou o PM por ter lido o depoimento da testemunha protegida Elias.
Diante do choro de Eleutério, o promotor foi enfático:
— Se eu fosse o senhor, eu parava de chorar, porque depois os jurados verão você rindo.
Às 12h07, a Promotoria começou a falar sobre o policial militar da Força Tática Thiago Barbosa Henklain.
Para desconstruir a defesa do PM, ele mostrou, apenas aos jurados, o nome de uma testemunha protegida e na sequência apresentou o sobrenome da esposa de Henklain para sugerir que eles seriam parentes, e por isso, estaria correndo risco ao testemunhar.
Ele relatou ainda uma discussão de Henklain com a esposa. O PM teria falado à esposa se ela "prefere que os 'noia' mate os 'polícia'? 'Nós' tem que matar os 'noia' mesmo".
Às 12h38, o promotor Oliveira começou a falar sobre o GCM (Guarda Civil Municipal) Sérgio Manhanhã.
Ele afirmou que o advogado do GCM estaria "com a faca e o queijo na mão."
Minutos depois, às 13h06, a defensora pública Maira Coraci Diniz mostrou um vídeo com áudio muito baixo.
Neste momento os advogados de defesa se posicionaram em frente à imprensa.
A defensora pública, que ficou bem próxima aos familiares das vítimas, se emocionou e citou Maria, Zilda, Rosa, Aparecida e Adalberto. Ela chorou, fato apontado pela defesa como encenação.
A defensora pública terminou sua fala com uma citação à banda carioca O Rappa.
— Paz sem voz não é paz, é medo.
Defesa
O advogado de Eleutério foi o último da defesa a falar. Ele fez uso da palavra por 1h25, o maior discurso.
Antes dele, foi a vez do advogado Abelardo Julio da Rocha, que defende o GCM Sérgio Manhanhã.
Em seu trecho mais polêmico, o advogado afirma que "o réu que fala a verdade permanece de cabeça erguida o tempo inteiro".
O comentário faz um contraponto à postura de dois dos policiais militares, que diferentemente de Manhanhã estavam de cabeça baixa.
O primeiro dos três a falar foi Evandro Capano, advogado do policial militar Thiago Barbosa Henklain. Ele se mostrou muito incomodado às críticas ao seu choro no terceiro dia de julgamento.
O advogado também criticou o delegado do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa) José Mario de Lara. Ele abriu os trabalhos às 14h54 e falou por 57 minutos.
Na sexta-feira (22) o julgamento terá duas horas para a réplica e mais duas horas para a tréplica. No total serão 10 horas de debate. Ao término desta fase, há a decisão dos jurados na sala de votação e a leitura da sentença pela juíza Elia Kinosita Bulman.













