São Paulo Justiça condena seis réus por roubo de ouro em Guarulhos em 2019

Justiça condena seis réus por roubo de ouro em Guarulhos em 2019

Grupo levou mais de 700 quilos do metal avaliados em mais de R$ 100 milhões. Para a ação, sequestraram funcionário do aeroporto

  • São Paulo | Letícia Dauer, da Agência Record

Roubo milionário de ouro em Guarulhos

Roubo milionário de ouro em Guarulhos

Reprodução

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) condenou seis envolvidos no roubo de mais de 700 quilos de ouro no Aeroporto Internacional de Guarulhos em julho de 2019.

Como o processo corre em segredo de Jutiça, a TJ-SP limita-se a confirmar a condenação dos réus Marcelo Ferraz da Silva, Joselito de Souza, Francisco Teotônio da Silva Pasqualini, Peterson Brasil, Célio Dias e Peterson Patrício.

O tribunal não informa a pena atribuída a cada um, apenas afirma que tratam-se "penas variadas, acolhendo em parte pedido formulado pelo Ministério Público".

O roubo

De acordo com a polícia, ao menos dez pessoas teriam participado do crime, um roubo de 770,9 quilos de ouro  que ocorreu no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 13h do dia 25 de julho do ano passado, uma quinta-feira.

As investigações indicam que o grupo chegou ao aeroporto em dois carros identificados como se fossem viaturas da Polícia Federal. Fortemente armados, teriam rendido os funcionários que faziam a manipulação da carga, obrigando-os a transferir o ouro para um dos veículos.

Sequestro

A ação começou um dia antes. Na manhã da quarta-feira (24) de um funcionário, supervisor do terminal, saía de casa para levar a mulher ao trabalho, quando foi abordado por três criminosos, que dirigiam uma ambulância falsa. O trio anunciou que sabia que o homem era funcionário do aeroporto e que uma carga de ouro chegaria ao terminal no dia seguinte.

A mulher do supervisor do terminal foi levada por um dos criminosos até um cativeiro. Os outros dois homens marcaram um ponto de encontro com o funcionário nas proximidades da Avenida Jacú Pêssego, na zona leste da capita, às 16h, onde o plano do roubo seria alinhado com a vítima.

No local, o funcionário tomou ciência de tudo que teria que fazer. Além disso, os criminosos obrigaram a vítima a voltar para casa, onde três crianças, a sogra e o casal de cunhados do homem foram feitos reféns durante toda a noite.

Duas das crianças eram filhas do funcionário e a outra era filha de um casal de vizinhos, que estava na casa da vítima no momento do sequestro. A família ficou na mira dos criminosos até o final do assalto.

Assalto

Por volta das 13h, outros seis integrantes da quadrilha chegaram a casa do funcionário e o levaram ao aeroporto. Os outros dois suspeitos ficaram na residência com o resto dos reféns. A quadrilha chegou em duas caminhonetes pretas, que continham símbolos da Polícia Federal, sendo uma SUV e uma picape. Todos usavam luvas e mascaras durante toda a ação.

Ao porteiro, o grupo se identificou como policiais federais, que estariam no local para realizar a inspeção de uma carga, em uma operação contra o tráfico de drogas. O porteiro imediatamente permitiu a entrada dos dois veículos e logo em seguida foi rendido pelos criminosos.

Os homens renderam também funcionários da empresa de transportes de valores Brink's, que fazia a segurança da carga, além de funcionários do aeroporto. A carga foi embarcada nos veículos com a ajuda de empilhadeiras e das vítimas. Foram mais de 700 quilos roubados, avaliados em mais de R$ 100 milhões. Os homens estavam armados com fuzis, pistolas e carabinas.

O metal, dividido em 31 malotes, tinha como destino Nova York, nos Estados Unidos, e Toronto, no Canadá. Além da quantidade de ouro, uma carga de esmeraldas avaliadas em R$ 25 mil, 18 relógios de uma grife italiana e um colar, avaliados em R$ 94 mil também foram levados.

Fuga

Após o embarque da carga, os seis homens fugiram, levando o mesmo funcionário como refém. Em um ponto da zona leste da capital, os criminosos abandonaram os veículos, que continham os símbolos da PF e fizeram o transbordo da carga para outras duas caminhonetes brancas.

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Em seguida, em outro ponto da zona leste, os criminosos abandonaram as duas caminhonetes em um galpão, e fizeram o transbordo da carga novamente para outros dois veículos. 

Reféns

Por volta das 18h, no primeiro transbordo feito pela quadrilha, o funcionário, a família e a mulher foram liberados. O funcionário do aeroporto foi deixado na zona leste. A família, que ainda era mantida refém em casa, foi liberada pelos criminosos, após a fuga da dupla.

A mulher, que era mantida em um cativeiro, foi encapuzada e retirada do local após um dia como refém. Ela relatou a polícia, que entrou em um carro, andou por cerca de 40 minutos, e foi deixada em frente ao Shopping de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. 

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