São Paulo Justiça prorroga prisão de presos um mês após morte de família no ABC

Justiça prorroga prisão de presos um mês após morte de família no ABC

Cinco suspeitos cumprem prisão temporária por mais 30 dias, entre eles está a filha e irmã das vítimas. Polícia deve fazer reconstituição do crime

  • São Paulo | Do R7, com informações da Agência Record e da Agência Estado

Romuyiki, Juan e Flaviana Gonçalves foram assassinados no ABC

Romuyiki, Juan e Flaviana Gonçalves foram assassinados no ABC

Reprodução/Record TV

Completa um mês nesta sexta-feira (28) o assassinato de pai, mãe e filho encontrados mortos com os corpos carbonizados no porta-malas de um carro abandonado em uma área de mata em São Bernardo do Campo, no ABC. Os cinco suspeitos presos tiveram prisão temporária de 30 dias prorrogada por mais 30 pela Justiça. Ainda há divergência entre as versões dos suspeitos e a polícia deve marcar uma reconstituição do crime para esclarecê-las.

Leia mais: Suspeitos de executar família carbonizada no ABC eram vizinhos

As vítimas são o casal de empresários Romuyuki e Flaviana Gonçalves, de 43 e 40 anos, e o filho caçula, Juan Victor, de 15 anos.

As primeiras presas foram Anaflávia Gonçalves, de 24 anos, filha e irmã das vítimas e Carina Ramos, de 31 anos, mulher dela. Segundo a polícia, as duas confessaram envolvimento no crime, mas negam terem participado diretamente dos assassinatos. A versão entra em conflito com o que diz o terceiro preso, Juliano de Oliveira Ramos Júnior, primo de Carina. Segundo ele, o crime foi previamente planejado, Anaflávia autorizou o assassinato da família e Carina teve participação direta nas mortes.

Também estão presos Jonathan Fagundes Ramos, de 23 anos, irmão de Juliano, também primo de Carina, e o vizinho deles, Guilherme Ramos da Silva, de 19 anos. Os cinco devem ser indiciados por homicídio qualificado.

Depoimentos

A Polícia Civil considerava Anaflávia e Carina suspeitas desde o primeiro dia da investigação. Chamadas a depor, elas inventaram que a família estaria devendo dinheiro a um agiota e o homem seria o possível mandante do crime, mas acabaram caindo em contradição e tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Em novo interrogatório, Carina mudou a versão. À polícia, disse que estava na casa dos sogros quando três indivíduos armados entraram e renderam a família. Também afirmou que um dos criminosos seria o seu primo Juliano, mais conhecido por Buiú ou Beiço.

Embora não tenha acreditado plenamente no depoimento, o delegado solicitou à Justiça a prisão de Juliano. Ao ser preso, ele prestou o depoimento que revirou a investigação. Na delegacia, disse que todos tinham bolado o plano juntos e Anaflávia e Carina participaram ativamente de toda a ação. O grupo entrou no condomínio onde a família morava em Santo André, escondido no carro de Anaflávia, um Fiat Palio, depois de seguir o Opala em que estavam Romuyuki e Juan Victor. Já Carina passou a pé pela portaria social, conforme mostram as câmeras de segurança. Eram 20h09, horário que já não havia mais porteiro no local.

Uma vez na casa, simularam ter dominado Anaflávia e Carina. Depois dominaram o pai e o filho e passaram a exigir a senha do cofre. Como nenhum dos dois sabia, foram torturados a pancadas e asfixiados com um saco plástico, segundo Juliano. Ao chegar ao local, a mãe Flaviana se desesperou e abriu o cofre. Uma suposta quantia de R$ 85 mil que os suspeitos buscavam não existia. Pela versão de Juliano, Anaflávia e Carina deram aval para as mortes. A filha teria concordado em executar os pais por causa de uma suposta herança de seguro de vida.

Após as novas acusações, o casal foi prestar novo depoimento e, desta vez, fez uma confissão parcial. As duas admitiram o assalto, mas alegaram que a ação saiu do controle. Segundo elas, a condição era de que o roubo não envolvesse violência física ou xingamentos. Em meio à guerra de narrativas, essa também é a versão adotada pela defesa do quinto preso. "O Guilherme jura de pés juntos que a ideia era só o roubo e não participou das mortes", diz o advogado criminalista Leonardo José Gomes, que representa os dois irmãos.

Veja também: Defesa de suspeitos atribui mortes a nora de família carbonizada no ABC

Presos

Com prisão temporária em vigor, Juliano e Jonathan estão em uma unidade de São Caetano do Sul, no ABC. Já Guilherme está detido no CDP de Pinheiros, na capital, porque também responde por flagrante de receptação, convertido em prisão preventiva. Por sua vez, Anaflávia e Carina ficaram na carceragem do 7º DP de São Bernardo do Campo.

Leia também: Presas, suspeitas de matar família carbonizada gritam juras de amor

Perfis

Anaflávia Meneses Gonçalves: Filha mais velha de Romuyuki e Flaviana Gonçalves e irmã de Juan Victor. É acusada por Juliano de elaborar e executar o assalto à família, além de ter dado aval às execuções.

Carina Ramos: Mulher de Anaflávia, está no terceiro casamento e tem três filhas. É apontada como elo entre membros do grupo.

Juliano de Oliveira Ramos Jr.: Primo de Carina, é o único com antecedente criminal. Apontou participação direta de Anaflávia e Carina nos crimes.

Jonathan Fagundes Ramos: Irmão de Juliano e primo de Carina. Foi o último a ter a prisão temporária decretada pela Justiça.

Guilherme Ramos da Silva: Trabalhava em um lava-rápido de Santo André e é vizinho dos outros investigados.

Últimas