São Paulo Defesa de suspeitos atribui mortes a nora de família carbonizada no ABC

Defesa de suspeitos atribui mortes a nora de família carbonizada no ABC

Alessandra Jirardi afirma saber onde está “prova cabal” com vestígios de sangue e alega que foi Carina Ramos quem executou os assassinatos

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Alessandra Jirardi defende dois irmãos suspeitos do crime

Alessandra Jirardi defende dois irmãos suspeitos do crime

Reprodução/Record TV

A defensora de dois dos suspeitos de envolvimento na morte da família carbonizada no ABC, Alessandra Jirardi afirmou em entrevista ao Balanço Geral no início da tarde desta quinta-feira (13) que seus clientes confessaram participação no crime, mas não são os responsáveis pelo assassinato das vítimas. Advogada dos irmãos Juliano de Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Ramos, que cumprem prisão temporária, ela atribui a responsabilidade das mortes a Carina Ramos, nora do casal assassinado, e diz saber onde está o objeto usado para o crime. Segundo ela, trata-se de “uma prova cabal e contundente que não foi higienizada”.

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Os corpos de Flaviana Gonçalves, de 40 anos, de Romuyuki Gonçalves, de 43 anos, e do filho mais novo do casal, Juan Gonçalves, de 15, foram encontrados carbonizados no porta-malas de um carro em uma região de mata de São Bernardo no dia 28 de janeiro. Cinco pessoas estão presas pelo crime: Ana Flávia Gonçalves, filha e irmã das vítimas, Carina Ramos, a mulher dela, os irmãos Juliano e Jonathan, defendidos por Alessandra, e um terceiro suspeito. 

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“Que estão envolvidos no crime é fato. É incontestável”, afirmou a advogada. Ela tenta negociar um acordo com a polícia usando suposta prova, da qual não dá detalhes, para tentar reduzir a punição dos clientes. “Eles vão confessar os crimes na medida da participação de cada um”, declarou. Ana Flávia e Carina, segundo a polícia, admitiram participação no crime, mas negam envolvimento direto nas mortes.

Investigação

Na primeira visita da polícia à casa onde a família morava, em um condomínio de Santo André, os agentes encontraram o imóvel revirado, além de marcas de sangue pelos cômodos. Os investigadores consideraram estranho a residência estar nestas condições, pois não havia sinais de arrombamento. Do local foram roubados eletrodomésticos, cerca de R$ 8 mil dólares, joias e uma arma.

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De acordo com a perícia, litros de água sanitária e manchas de sangue foram encontrados no quarto do adolescente. Também foram localizadas manchas de sangue em peças de roupa de Ana Flávia, a filha.

Uma testemunha que está sendo preservada contou aos policiais que ouviu barulhos estranhos vindos da casa das vítimas. Um laudo preliminar apontou que, antes de terem seus corpos carbonizados, as três vítimas morreram com pauladas na cabeça. Como todos os golpes foram do lado direito, a suspeita é de que o autor seja canhoto.

Um homem de cerca de 1,90 m de altura foi visto por uma testemunha junto com as duas suspeitas, na noite do crime, carregando algo pesado para o carro. O suspeito é um primo de Carina, o terceiro suspeito preso, no dia 4 de fevereiro. Em depoimento, segundo a polícia, ele confessou o crime, disse que ele a ação foi premeditada e que Ana Flávia autorizou o assassinato da família.

Segundo o depoimento do suspeito, a ideia do trio era roubar joias e dinheiro do cofre da casa. O pai e o adolescente estavam na residência, no condomínio de Santo André, com Ana Flávia e Carina quando três suspeitos chegaram e anunciaram o assalto.

Carina teria sido a primeira a ser rendida. Os homens exigiam valores. Como o cofre estava vazio e o dinheiro recebido por Romuyuki não estava na residência, houve uma conversa entre os suspeitos. Naquele momento, segundo a versão do suspeito, as duas autorizaram a morte de toda a família. 

Pai e filho foram levados para o quarto do adolescente. O suspeito revelou à polícia que os dois foram mortos asfixiados depois de apanhar e que Carina participou do sufocamento de Romuyuki com um saco plástico. Já a mãe, Flaviana, chegou à casa mais tarde e foi vendada.

Outros dois suspeitos pelo crime foram presos na tare de 4 de fevereiro. A polícia chegou a eles a partir do depoimento de Carina na segunda-feira (3). Um deles, no entanto, teve a prisão revogada pela polícia e foi libertado. Agora a polícia procura um novo suspeito, também primo de Carina e irmão do terceiro detido.

Câmeras

As suspeitas sobre a filha ganharam força depois de as imagens da câmera de segurança mostrarem que ela e a mulher estavam na casa na noite do crime. Por diversas vezes, as duas foram flagradas manobrando os carros da família. O carro de Ana Flávia e Carina também é visto entrando e saindo do local várias vezes. Em depoimento à polícia, Carina, que chegou às 20h ao local, alegou ter entrado por volta das 22h. Câmeras mostram que ela usava um casaco com capuz, mesmo fazendo calor, o que também gerou desconfiança da polícia.

Quando o veículo da família deixa o condomínio, por volta de 1h, o carro de Carina e Ana Flávia sai na frente. Duas horas depois, os corpos de Flaviana, Romuyuki e Juan são encontrados.

Segundo a polícia, ao serem questionadas para onde seguiram após deixarem o condomínio, cada uma das suspeitas disse que se dirigiram a lugar diferente. A polícia pediu a quebra do sigilo telefônico das duas mulheres para analisar sua troca de mensagens. Lucas Domingos, então advogado do casal, negou qualquer tipo de participação das duas com o crime e disse não ter certeza se havia contradições em seus depoimentos.

A polícia investiga as circunstâncias da morte de Flaviana, a mãe. De acordo o primo de Carina, ela não foi morta em casa. A polícia apura se Carina vestiu um uniforme da vítima, para se passar por ela, entrou no carro com Flaviana ainda viva e assumiu o volante. Tiros foram ouvidos antes de o carro ser abandonado em uma estrada de terra de São Bernardo do Campo. Na sequência, o veículo foi incendiado.

Imagens de câmeras de segurança do condomínio mostram o momento da saída do Jeep que, mais tarde, seria encontrado com os três mortos.

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