'Litoral é família', diz voluntário sobre ajuda comunitária após as chuvas em São Sebastião
Moradores contam que, em meio a todo o desastre causado pelas chuvas, vizinhos se unem para ajudar uns aos outros
São Paulo|Julia Girão, do R7*

"No litoral, todo mundo é família; em uma ação dessas, todos se uniram", diz Pedro Henrique Farias da Silveira, sobre o trabalho voluntário que vem realizando com a população de São Sebastião, cidade mais afetada do litoral norte pelas chuvas que atingiram a região no último fim de semana.
O temporal foi o maior registrado na história do Brasil. O acumulado foi de 626 mm em São Sebastião, quando o esperado era de 250 mm. A chuva já provocou 48 mortes e deixou 38 desaparecidos, 1.730 desalojados e 1.810 desabrigados.
Para Pedro Henrique, que trabalha com passeios turísticos de barco, a principal ajuda está vindo da própria comunidade, e uma das formas que encontraram de arrecadar dinheiro foi por meio de vaquinhas online. "Um ou outro consegue R$ 1.000, por exemplo, e a gente já compra esse valor de mantimentos."

Assim como Pedro Henrique, Kaique Rodrigues de Souza vem fazendo inúmeras viagens de barco pela cidade para levar à população alimentos, remédios, itens de higiene e o que mais for necessário. “Enquanto não falar que deu, a gente não vai parar. Não pensamos duas vezes para poder ajudar a comunidade que realmente ficou ilhada”, afimou ao R7. O jovem mora no bairro Sítio Velho, um dos menos afetados pelas chuvas.
No primeiro dia após os deslizamentos, as doações ainda estavam baixas, e o mar estava inavegável; porém, de acordo com o morador, desde que as chuvas pararam, os mantimentos têm chegado, e a possibilidade de levá-los a todas as partes da cidade pelo mar tem ajudado bastante. Ao todo, são mais de 30 barcos que prestam esse serviço, segundo Pedro Henrique.
Mantimentos, doações e mercado
A informação que chegou à população, de acordo com Kaique, é que os mercados estão completamente vazios e, quando ainda havia itens para comprar, os preços eram exorbitantes. Além disso, pessoas com mais poder aquisitivo estavam adquirindo todos os alimentos disponíveis, independentemente do preço, sem deixar para outros comprarem.
“Acabaram [os mantimentos] também pelo desespero das pessoas, que não sabiam se iria chegar comida de alguma outra forma”, relata.
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Entretanto, agora que o cenário mudou e as doações estão chegando à população, o problema é outro: algumas famílias pegam itens a mais, como arroz ou feijão, e deixam outras famílias sem nada.
Novo alerta para chuvas
A previsão de continuidade de chuva no litoral norte de São Paulo alerta para a necessidade de as pessoas buscarem apoio, em caso de situações de risco. São previstos cerca de 200 mm de precipitação para o litoral norte de São Paulo e a Baixada Santista ainda nesta semana.
A população está muito apreensiva, mas a maioria já saiu das casas em áreas de risco. Também está sendo preparado um estoque de comida e água, porque “o tempo vai mudar o mar”, segundo Kaique, e eles não podem correr o risco de ficar alguns dias sem poder navegar e realizar o tráfego de mantimentos.
Pedro Henrique conta que todas as noites tem chovido bastante. Ninguém consegue dormir, porque nas madrugadas as pessoas precisam deixar suas casas. Até sexta-feira (24), são previstos cerca de 200 mm de precipitação para o litoral norte de São Paulo e a Baixada Santista. É importante que a população fique atenta e siga as recomendações da Defesa Civil.
Saiba como fazer doações para ajudar os afetados pelas chuvas no litoral norte de São Paulo
* Estagiária do R7, sob supervisão de Celso Fonseca















