São Paulo Mãe de Gael havia se indignado com caso Henry Borel, diz tia-avó

Mãe de Gael havia se indignado com caso Henry Borel, diz tia-avó

Como no caso do RJ, mãe é suspeita de matar o filho, encontrado com sinais de agressão em apartamento de bairro nobre de SP

  • São Paulo | Do R7

Gael foi encontrado com sinais de espancamento em SP

Gael foi encontrado com sinais de espancamento em SP

Reprodução/ Record TV

A mãe do menino Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, encontrado morto e com sinais de espancamento na última segunda-feira (11), em um apartamento na região da Bela Vista, área nobre de São Paulo, havia ficado indignada com o caso do menino Henry Borel, de 4 anos, morto em 8 de março, em um apartamento de luxo do Rio de Janeiro, em circunstâncias semelhantes. Foi isso que relatou dona Maria, tia-avó do garoto, à equipe do Cidade Alerta.

"Ele nem queria falar muito [sobre o caso Henry], porque ela dizia que não gostava de falar de coisas que fazem barbaridades com crianças", conta dona Maria.

A tia-avó não acredita que a mulher tenha agredido o filho até a morte, e afirma que imagina ter acontecido um acidente na cozinha do apartamento. "Eu acredito muito que tenha sido uma coisa acidental. Ele deve ter caído, acidentalmente, e a minha filha não tem culpa de nada", diz.

Dona Maria relata ter ficado "sem chão" com a morte do sobrinho-neto, e também lembra que o menino era bem cuidado pela mãe. "Ela era amorosa com ele, era boa, carinhosa, então eu não acredito que ela tenha feito isso". Vizinhos do prédio confirmam a versão de que a mulher sempre demonstrou ser uma boa mãe e nunca foram percebidos sinais de violência.

O menino Gael é fruto de um relacionamento que nasceu em uma pequena cidade da Paraíba. As famílias dos pais do menino sempre apoiaram o relacionamento do casal.

Os dois, então, decidiram sair da pequena cidade e se mudar para São Paulo. Na capital paulista, a mulher, que já tinha uma filha de outro relacionamento, engravidou de Gael. A notícia foi recebida com muita alegria pelas duas famílias, principalmente pelos pais dele, pois seria o primeiro neto.

No entanto, depois que Gael nasceu, o relacionamento do casal não dava mais certo, e eles decidiram se separar. A família afirma que a separação foi tranquila e os dois decidiram continuar em São Paulo. Ela, porque o pai da filha mais velha cedeu o apartamento onde aconteceu o crime para morarem, enquanto o pai de Gael quis seguir na capital paulista para seguir presente na vida do filho.

A mãe de Gael trabalhava com venda de cosméticos e desenvolvia sua atividade profissional em casa. Ela havia conquistado a guarda do menino e, por isso, o pai apenas buscava para passar os finais de semana com criança. A mulher sempre era vista levando o filho para escola ou passeando pelo bairro e, segundo os vizinhos, nunca houve sinal de maus-tratos.

No último domingo (9), Gael voltou da casa do pai e havia trazido um presente para a mãe, de Dia das Mães. Nada de anormal se percebeu. Até que, no dia seguinte, aconteceu o crime.

O caso

O menino Gael morreu com sinais de agressão na última segunda-feira (10). A mãe foi presa em flagrante e é a principal suspeita pelo crime. O caso ocorreu na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, na Bela Vista, durante o período da manhã. A Polícia Militar foi acionada por volta das 12h.

A 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) registrou o caso como homicídio qualificado consumado com emprego de meio insidioso ou cruel, ou que resulte em perigo comum, e indiciou a mãe de Gael.

Nesta terça-feira (11), o TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) atendeu o pedido da Polícia Civil e converteu em preventiva a prisão da mãe do menino.

O boletim de ocorrência foi registrado com base em oito relatos de testemunhas, além do da indiciada, com acréscimo de dados dos laudos periciais. A tia-avó do garoto Gael, de 73 anos, contou que deu mamadeira para a criança por volta das 9h e os dois ficaram na sala assistindo televisão.

Pouco depois, Gael foi para a cozinha, onde estava a mãe. A tia-avó permaneceu na sala e a irmã do menino, de 13 anos, estava no quarto. A tia-avó contou que ouviu a criança chorar, mas pensou que ele queria o colo da mãe, como era comum. Ela chamou, então, Gael para voltar a assistir desenho, mas a mãe respondeu que o filho iria ficar na cozinha.

Cerca de cinco minutos depois a idosa escutou barulhos fortes de batidas na parede, mas achou que o som era de outro apartamento. A tia-avó relatou que logo depois o menino parou de chorar.

Ainda de acordo com a idosa, cerca de 10 a 15 minutos depois, ela ouviu o barulho de vidros estilhaçando, foi até a cozinha e encontrou o menino no chão, coberto com uma toalha de mesa, em meio a uma poça de vômito. A mãe estava ao seu lado. Ela perguntou para a mãe o que tinha acontecido com Gael, mas a mulher, que parecia estar em estado de choque, não disse uma única palavra.

A tia-avó pegou a criança no colo e o levou até o quarto do garoto. Ela trocou a roupa dele e a fralda, que estava suja de fezes, e pediu que a irmã acionasse o resgate. Equipes do Samu foram acionadas para uma ocorrência de parada cardíaca de criança.

Os médicos entraram pela porta lateral do apartamento, que dá acesso à cozinha, onde encontraram a mãe. A mulher estava sentada em uma cadeira no canto do cômodo, com a cabeça baixa. A irmã conduziu os médicos até o quarto de Gael, que estava com a tia-avó, deitado num colchão no chão.

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