Mãe de menino atropelado no Metrô não pôde ver as imagens da câmera

Familiares dizem que menino foi levado pela multidão que desceu na estação Santa Cruz, quando eles voltaram, ele tinha sumido e foi achado morto

Antes de ser atropelado, Luan teria caminhado sozinho na plataforma

Antes de ser atropelado, Luan teria caminhado sozinho na plataforma

Bebê Mamãe

O delegado responsável pela investigação da morte do menino Luan, de 3 anos, que morreu atropelado em um túnel do Metrô no último dia 23 de dezembro, não permitiu que a mãe, Linéia Oliveira Silva, assistisse as imagens das câmeras de segurança que registraram os últimos momentos da criança. 

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"É direito da mãe ver as imagens do filho dela. O Metrô é público e não poderia negar. Ele precisa agir com transparência", diz Ariel de Castro, advogado da família.

A Polícia Civil instaurou um inquérito policial para apurar a circunstâncias da morte da criança, que conforme as informações do Metrô, teria entrado no túnel  e sendo atropelada por um dos trens. A reportagem do R7 questionou a Polícia Civil sobre os motivos que fizeram o delegado negar o acesso às imagens. Por telefone, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que o delegado não negou o acesso às imagens. Ele teria justificativo de que não seria possível mostrá-las naquele momento, pois as imagens estariam em poder do IC (Instituto de Criminalística).

Linéia, de 25 anos, prestou depoimento nesta terça na Delegacia do Metro de São Paulo, na Estação Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Ela deu detalhes sobre o momento em que o garoto se perdeu e também sobre as buscas pela criança, confirmando a versão dada no dia do acidente. Ela estava acompanhada do marido, do sogro e de seu advogado.

Cronologia

A Polícia também montou uma cronologia dos acontecimentos, baseada no depoimento da família e de funcionários do Metrô de São Paulo no dia do acidente. As informações mostram que o Metrô demorou 1 hora e 46 minutos para localizar o corpo da criança nos trilhos que interligam a estação Santa Cruz da Linha 1-Azul.

11h07 - Uma mensagem de texto enviada ao serviço de denúncias do Metrô faz o alerta que o garoto escapou da mãe 
11h08 - Os seguranças iniciam a procura pelo menino na plataforma, acessos e no shopping anexo a estação de Metrô
11h20 - Os funcionários da segurança decidem procurar o menino no túnel
11h25 - Os agentes pedem autorização para entrar no túnel
12h08 - O Metrô autoriza a ronda dentro do túnel
12h22 - Uma maquinista avisa ter visto um corpo no túnel
12h46 - O menino é localizado nos trilhos
12h52 - Seguranças iniciam a remoção da criança do trilho
12h56 - O menino é resgatado e levado para um hospital

Acidente

Luan Silva de Oliveira, de 3 anos, morreu depois de ser atropelado por um trem da linha 1-Azul do Metrô de São Paulo, na estação Santa Cruz (zona sul da capital), no início da tarde do último domingo (23).

Segundo a família do menino, a criança estava com a mãe, Lineia Oliveira Silva, mais três irmãos e o padrasto dentro do metrô lotado. Quando o trem parou na estação Santa Cruz, sentido Jabaquara, e os passageiros desceram do vagão, o menino também desembarcou.

Os familiares teriam ficado desesperados, pois antes que eles pudessem buscar o menino, as portas do trem fecharam. A família desceu na estação seguinte, Praça da Árvore, e embarcou de volta onde a criança havia descido sozinha. Chegando lá, não encontraram o menino.

Os seguranças passaram a procurar a criança. A operação dos trens foi momentaneamente bloqueada durante as buscas. Pouco depois, os seguranças removeram o menino, já sem vida, em uma maca de dentro do túnel.