Logo R7.com
RecordPlus

Mães que perderam filhos em atentados na Grande SP falam sobre vazio no Natal 

Além de enfrentar a dor da perda, grupo luta por justiça mais de um ano após as 26 mortes 

São Paulo|Do R7*

  • Google News
"Não tenho Natal, e nenhum outro motivo para comemorar", diz Ivani, que perdeu filho de 14 anos
"Não tenho Natal, e nenhum outro motivo para comemorar", diz Ivani, que perdeu filho de 14 anos

Período do ano tradicionalmente ligado a encontros familiares, o Natal para as mulheres que perderam seus filhos é um momento ainda mais difícil, quase sem sentido, como relatam algumas das integrantes do movimento Mães Mogianas.

Os filhos delas estão entre os 26 mortos nos atentados que aconteceram em 12 bairros de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, entre novembro de 2013 e julho de 2015.


Todas as vítimas eram do sexo masculino e tinham idades entre 14 e 38 anos.

Ivani Lira Santos, cujo filho Breno Santos Vale foi assassinado em 24 de janeiro de 2015, aos 14 anos, lembra que sempre esperava o menino chegar em sua casa, com sorriso e empolgação, na véspera de Natal. Como Ivani é separada do pai de Breno, o menino costumava passar o dia 25 com a mãe e, o Ano Novo, com o pai.


— Hoje eu não tenho Natal, e nenhum outro motivo para comemorar. Não tenho mais vontade de fazer nada. Nem de viver, às vezes.

Já Silvana Aparecida Mello, mãe de Luiz Fernando Mello Santana, morto aos 18 anos, no dia 21 de novembro de 2014, conta emocionada que o que filho mais gostava do Natal eram as comidas.


Ela lembra que, em 2013, no último Natal de Luiz, ele pediu para mãe fazer pernil. Ela fez e, orgulhosamente, diz que “fez tudo o que ele gostava”. Hoje, no segundo Natal sem o filho, Silvana ressalta que não tem mais nenhum motivo para festejar.

— É muito triste ver todo mundo comemorar e você não ter nenhuma alegria. Hoje, para mim, o Natal não faz mais sentido


Quando o assunto é presente de Natal, as mães se dividem. Algumas queriam a presença, o último abraço ou uma última conversa com o filho. Outras, acreditam que o melhor presente seria verem feita justiça sobre os casos.

Quase um ano e meio depois do último ataque, Ivani, Silvana e outras cinco mães e um pai, que formam o Movimento Mães Mogianas, gravaram um vídeo produzido pelo site voltado à segurança pública e direitos humanos Ponte Jornalismo, divulgado nesta sexta-feita (23), contando como é passar o Natal sem o filho.

[embed id="585d2f851d42068648003262" name="" namespace="videos" content="%3Ciframe%20width%3D%22780%22%20height%3D%22440%22%20src%3D%22https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FeOOdp-wYVZE%22%20frameborder%3D%220%22%20allowfullscreen%3E%3C%2Fiframe%3E"]
{
    "data": {
        "id": "585d2f851d42068648003262",
        "name": "",
        "namespace": "videos",
        "content": "%3Ciframe%20width%3D%22780%22%20height%3D%22440%22%20src%3D%22https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FeOOdp-wYVZE%22%20frameborder%3D%220%22%20allowfullscreen%3E%3C%2Fiframe%3E"
    },
    "embedded": {
        "_id": "585d2f851d42068648003262",
        "content": "%3Ciframe%20width%3D%22780%22%20height%3D%22440%22%20src%3D%22https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FeOOdp-wYVZE%22%20frameborder%3D%220%22%20allowfullscreen%3E%3C%2Fiframe%3E",
        "dimensions": null,
        "embeddable_id": null,
        "name": "",
        "disable_adv": false,
        "section_name": "noticias",
        "videos": []
    }
}

O movimento Mães Mogianas é um coletivo que serve para as mulheres compartilharem as dores, experiências e, juntas, reivindicarem justiça e a manutenção da prisão de dois policiais militares que estão no Presídio Militar Romão Gomes

Os policiais presos são os soldados Vanderlei Messias Barros, que integrava a equipe da 2ª Companhia do 17º Batalhão da PM, e Fernando Cardoso Prado Oliveira, que atuava no 32º Batalhão. Ambos estão presos desde 25 de setembro de 2015.

Os dois PMs respondem processo pelas mortes de Mateus Justino Costa, de 17 anos, Tiago Nogueira Novaes, 25, e Marco Vinícius dos Santos, 15, no dia 8 de julho de 2015, no Jardim Universo.

No inquérito policial que consta neste mesmo processo, Cardoso ainda responde pelo homícidio de Rafael Simão Oliveira Sarche, de 21 anos, baleado no Jardim Camila, e Renato José Nogueira Neto, de 18 anos, morto em uma rua a 2,1 km de onde Rafael foi assassinado, no dia 26 de abril de 2014.

Chacina: seis pessoas morrem durante ataques em Mogi das Cruzes (SP)

Polícia investiga chacina com três jovens em Mogi das Cruzes (SP)

Além dessas mortes, Cardoso responde outros dois processos, sendo um pelo ataque no bairro São João, em 15 de novembro de 2013, que vitimou Matheus Aparecido da Silva, de 16 anos e Felipe Bueno Ferreira, 23 — segundo as mães, esse foi o primeiro caso da série de ataques na cidade.

Veja quem são mortos nos atentados:

15/11/2013 - São João

Matheus Aparecido da Silva, 16

Felipe Bueno Ferreira, 23

26/04/2014 - Jardim Camila e Conj. Res. Vila da Prata

Rafael Simão Oliveira Sarche, 21

Renato José Nogueira Neto, 18

21/11/2014 - Vila Natal, Mogi Moderno e Vila Brasileira

Tiago Donizete Rodrigues da Luz, 17

Luiz Fernando Mello Santana, 18

Marcos Fernandes Dias, 23

Douglas Hideki Kameoka Santos, 23

01/01/2015 - Jundiapeba e Vila Cintra

Diego Rodrigo Marttos, 33

Mario Gomes da Silva Santos, 20

24/01/2015 - Caputera e Jundiapeba

Christian Silveira Filho, 17

Ivan Marcos dos Santos de Souza, 18

Lucas Tomaz de Abreu, 20

Breno Santos Vale, 14

Celso Gomes, 28

27/04/2015 - Caputera, Conjunto do Bosque e Vila Natal

Kayque da Silva César, de 19 anos

Lucas Vieira da Silva, 17

Kaique Rafael da Silva Oliveira

José Dias Figueiredo Júnior, 38

Paulo Reinaldo Rodrigues Miranda, 32

Thiago Martins Senador, 28

27/05/2015 - Jundiapeba e Brás Cubas

Diego de Sousa Gomes, 23

Aleimar José da Silva, 18

08/07/2015 -Jardim Universo

Mateus Justino Costa, 17

Tiago Nogueira Novaes, 25

Marco Vinícius dos Santos, 15

*Com colaboração de Kaique Dalapola, estagiário do R7

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.