Massacre do Carandiru: quarto dia de julgamento termina após exibição de vídeos
Após exibição de vídeo, sessão foi suspensa e será reiniciada às 10h desta sexta-feira
São Paulo|Do R7

O quarto dia de julgamento do massacre do Carandiru chegou ao fim por volta das 22h10 desta quinta-feira (1º). A sessão foi suspensa após exibição dos vídeos e será reiniciada às 10h desta sexta-feira (2), com o início dos debates entre acusação e defesa. A sentença é esperada para a madrugada de sábado (3).
O ex-comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Salvador Modesto Madia foi interrogado por seis horas nesta quinta-feira (1º), no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Ele negou as 73 mortes da qual ele e outros 25 policiais militares são acusados, durante o massacre do Carandiru, em outubro de 1992, na Casa de Detenção. Durante o interrogatório, ele pediu nomes das vítimas.
— Estou aqui e assumo os meus atos desde que entrei na polícia, há 31 anos. A minha arma está lá. Peguem as armas, façam exames e deem os nomes de quem eu matei.
Madia afirmou ainda que está sendo acusado de um crime “como os que os nazistas fizeram durante o Holocausto”. Além de negar a autoria dele e dos seus homens da Rota, o tenente-coronel disse não ter ficado tranquilo com o que veio a ser conhecido como massacre do Carandiru.
— A dinâmica do que passamos lá, não vamos lembrar, mas aí saí aquela foto no jornal com um mar de mortos.
Pensa que voltei feliz para casa, que cheguei e tomei um copo de sangue? Dizem que nós [da Rota] perseguimos pobres e negros, mas olhe para eles [oficiais], que são obrigados a se aposentar com salário de R$ 2.700 e têm uma série de dificuldades.
Primeiro dia
O primeiro dia de julgamento foi marcado pela dispensa de sete das oito testemunhas da acusação. Apenas o perito criminal Osvaldo Negrini foi interrogado. Ele disse ter visto um “mar de cadáveres” e presenciado um “rio de sangue” ao chegar à Casa de Detenção no dia 2 de outubro de 1992. O depoimento de Negrini começou por volta das 14h10 e terminou pouco depois das 16h30.
Segundo dia
No segundo dia do júri, foram ouviram no plenário, o ex-secretário de Segurança Pedro Franco de Campos e o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho. Além deles, mais duas testemunhas protegidas prestaram depoimento.
A defesa ainda exibiu dois vídeos com depoimentos dos desembargadores Luiz San Juan França e Ivo de Almeida. França era juiz da Vara das Execuções Criminais da Capital em 1992. Já Almeida era corregedor dos Presídios da Capital na época.
Terceiro dia
O terceiro dia do júri começou com atraso, por volta das 11h50 da quarta-feira (31) — estava previsto para começar às 9h — e terminou às 2h30 da madrugada desta quinta-feira, depois de 15 horas de julgamento. Para este dia, foi programado o interrogatório dos 26 réus. Em uma estratégia da defesa, a maioria optou pelo direito de ficar em silêncio.
Só quatro oficiais responderam às perguntas. O último a ser ouvido, de madrugada, foi o tenente Edson Pereira Campos, que era soldado na ocasião dos fatos.
Relembre o caso
O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no Pavilhão 9. Com a confusão, a Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.
Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio.
Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a maioria foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.
Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.
Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém, um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.













