Megaoperação da Receita com o MP mira esquema para compra de distribuidora de combustíveis
Uma das empresas financeiras envolvidas na aquisição teria movimentado cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025
São Paulo|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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Uma força-tarefa formada por servidores da Receita Federal e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público deflagraram, na manhã desta quinta-feira (24), a megaoperação Crédito Oculto, contra suspeitos de fazer parte de um esquema para lavagem de dinheiro e compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
A ação ocorre como desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ligado ao setor de combustíveis, comandados por empresários de instituições financeiras e integrantes facções criminosas.
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A nova operação apura o uso de uma rede de empresas e contas bancárias para ocultar os verdadeiros donos de uma usina sucroalcooleira no interior paulista. Posteriormente, a mesma engrenagem foi usada para viabilizar a compra de uma distribuidora de combustíveis, segundo a Receita Federal.
Funcionamento
Para movimentar e ocultar os recursos, a usina sucroalcooleira teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa investigada. Os valores passavam em poucos minutos por múltiplas contas de empresas ocultas, por meio de “contas-bolsões” em fintechs — empresas de inovação tecnológica no mercado financeiro.
As contas-bolsão são aquelas abertas por fintechs em outras instituições financeiras reconhecidas para movimentar os recursos de todos os clientes dela, o que dificulta o rastreio das movimentações pelas autoridadades.

A fraude também envolvia a emissão de CDBV (Certificados de Depósito Bancário Vinculados) e operações “casadas” com bancos tradicionais, que emitiram cédulas de crédito para empresas de fachada abertas pelo próprio grupo criminoso.
Paralelamente, fundos imobiliários eram usados para concentrar imóveis de alto valor e manter esses bens fora da titularidade direta dos investigados, o que ampliava a blindagem sobre os verdadeiros donos do patrimônio.
Em uma das etapas da fraude, relacionada a R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina sucroalcooleira, os recursos de fundos controlados pelo próprio grupo permitiram a formação de um fluxo financeiro circular que dava falsa aparência de legalidade às compras de cotas do negócio.
Além disso, o volume global movimentado pela rede chamou a atenção dos investigadores: só uma das empresas financeiras usadas no processo de compra simulada da usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões, entre 2021 e 2025.
Alvos e abrangência
A força-tarefa desta manhã contou, ainda, com servidores da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, da PGE (Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo) e das polícias Civil e Militar.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 empresas. Dos 32 alvos, a maioria (26) estava no estado de São Paulo; os demais, no Distrito Federal, no Espírito Santo, em Goiás, no Mato Grosso, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
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