Mortes no Morumbi marcam ação mais letal desde episódio Castelinho

Em 2002, 12 suspeitos foram mortos durante emboscada em Itu

Corpos dos suspeitos enfileirados no meio da rua

Corpos dos suspeitos enfileirados no meio da rua

Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

O bairro do Morumbi, região nobre na zona sul de São Paulo, assistiu neste domingo (2) à ação mais letal da polícia paulista desde o caso da Castelinho, em Itu, quando 12 supostos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) foram mortos por policiais militares no que foi classificado pelo MP (Ministério Público) como uma “emboscada”. A ação deste fim de semana acabou com dez suspeitos mortos durante o roubo a uma casa.

Policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), que monitoravam a quadrilha há setes meses e procuravam os veículos usados pelo grupo, e do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) encontraram os suspeitos após cerca de seis horas de busca. Segundo relato dos policiais, durante a fuga em dois carros, os suspeitos abriram fogo, que foi revidado pelos agentes. Oito suspeitos morreram dentro dos veículos, e dois foram alvejados fugindo a pé.

As dez mortes só são superadas, por policiais em serviço no estado de São Paulo, pelo caso Castelinho, ocorrido em 2002, e pelo massacre do Carandiru, em 1992, ambos comandados pela Polícia Militar, que no primeiro semestre deste ano registrou 459 mortes causadas por agentes em serviço ou de folga, o maior índice em 14 anos. Com o caso do Morumbi, a Polícia Civil triplicou o número de mortes causadas por agentes, de cinco para 15.

Operação Castelinho

O Gradi (Grupo de Repressão e Análise de Delitos e Intolerância), unidade criada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de São Paulo em 2000 para combater crimes raciais, coordenou uma operação com agentes infiltrados para investigar membros da do PCC. Dois detentos se infiltraram junto com dois agentes do Gradi a um grupo de membros da facção criminosa paulista.

Em uma reunião, os infiltrados convenceram o grupo a participar do roubo a R$ 28 milhões que estaria em um suposto avião-pagador que pousaria no aeroporto de Sorocaba. Em 5 março de 2002 o grupo, junto com os infiltrados, viajava em um ônibus e três carros. Na passagem da praça, um bloqueio com cem policiais militares metralhou os veículos, matando todos os 12 supostos membros do PCC. Nenhum PM envolvido na emboscada foi ferido, apesar de os responsáveis alegarem que houve troca de tiros.

Em 2014 a Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação penal contra os 50 policiais e dois detentos envolvidos diretamente nos homicídios. O juiz Hélio Villaça Furukawa, da 2ª Vara Criminal de Itu, decidiu que os PMs acusados pelo MP (Ministério Público) de executar os 12 supostos membros do PCC não montaram uma farsa com o intuito de cometer os homicídios. Os dois presidiários responsáveis por repassar informações sobre o grupo também foram absolvidos.

Tribunal do crime em Várzea Paulista

Policiais da Rota entraram em chácara onde acontecia um 'tribunal do crime'

Policiais da Rota entraram em chácara onde acontecia um 'tribunal do crime'

Alex Silva/11.09.2017/Estadão Conteúdo

Outro episódio marcante ocorreu em 11 de setembro de 2012. Policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) foram a uma chácara em Várzea Paulista, a 54 km da capital, após receber uma denúncia anônima. No local, funcionava um ‘tribunal do crime’: membros do PCC julgavam um acusado de estupro de uma menina de 12 anos, acompanhados por ela e seu pai.

A ação acabou com a morte de nove pessoas, incluindo o “réu” do PCC, e oito pessoas presas. Nenhum dos 40 policiais que participaram da ação se feriu. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que apenas um dos suspeitos mortos no confronto não tinha passagem pela polícia.

No dia seguinte, o governador Geraldo Alckmin, que também comandava o Estado em 2002, durante a operação Castelinho, defendeu a ação, afirmando que “quem não reagiu está vivo”.

Sul de Minas Gerais

Criminosos foram surpreendidos por ação conjunta das polícias de Minas e São Paulo

Criminosos foram surpreendidos por ação conjunta das polícias de Minas e São Paulo

Henrique Costa/22.02.2014/CPN/Estadão Conteúdo

Na madrugada do dia 22 de fevereiro de 2014, uma ação conjunta de policiais civis do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) de São Paulo com a Polícia Civil de Minas Gerais deixou nove mortos e três feridos na cidade mineira de Itamonte a 270 km de São Paulo.  Além dos suspeitos de integrar uma quadrilha de roubo a bancos, foi morto um professor feito refém pelo grupo. Quatro suspeitos foram presos, e um policial do Garra se feriu na ação.

A ação foi realizada quando cerca de 15 homens se preparavam para explodir caixas eletrônicos de duas agências bancárias na Praça Central da cidade de 15 mil habitantes, próxima da divisa de Minas com São Paulo e Rio de Janeiro, e contou com 65 policiais. Dois suspeitos feridos foram presos na cidade. O suposto líder do grupo, Alfredo Luis Mancini, foi detido na cidade de Arujá, a 45 Km de São Paulo. Outro suspeito foi detido ainda em Guaratinguetá (SP).

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