Motim do PCC em prisão termina com funcionário ferido no Paraguai

Grupo se rebelou em represália as ações da Polícia do Paraguai contra as ações da organização criminosa no país

Um agente ficou ferido gravemente durante o motim

Um agente ficou ferido gravemente durante o motim

Reprodução/Facebook

O chefe de segurança da penitenciária de Concepción, no nordeste do Paraguai, ficou gravemente ferido nesta segunda-feira após ser tomado como refém, junto com outros três funcionários, por um grupo de 20 presos do Primeiro Comando da Capital (PCC), informou o Ministério de Justiça paraguaio.

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O ministro da Justiça, Julio Ríos, informou hoje no Palácio de Governo de Assunção que os quatro reféns (que não foram identificados) já estão em liberdade após "a ordem ter sido restabelecida pela polícia" e acrescentou que o chefe de segurança que ficou "ferido gravemente" está sendo transferido à capital.

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Ríos detalhou que os amotinados eram um grupo de 20 presos pertencentes ao PCC, que "cumpriram sua ameaça" contra o Estado paraguaio, "em represália ao que o governo faz contra o crime organizado", em referência à recente captura e extradição ao Brasil de um dos líderes desse grupo.

Por volta da mesma hora em que aconteceu o motim, as autoridades paraguaias extraditaram Thiago Ximenez, conhecido como "Matrix", líder do PCC que em dezembro do ano passado fugiu da delegacia de Assunção na qual estava detido junto ao também brasileiro Reinaldo Araújo, que foi abatido dias antes pela polícia.

O líder do PCC foi detido na manhã da sexta-feira passada nos arredores de Villa Ygatymí, no departamento de Canindeyú, na fronteira com o Brasil, a poucos quilômetros de onde Araújo morreu em um confronto com a Polícia, do qual "Matrix" conseguiu escapar.

Um incidente similar ocorreu na semana passada na prisão regional de Coronel Oviedo, no departamento de Caaguazú, no qual outro grupo de detentos do PCC sequestrou um guarda que ficou ferido.

O ministro reconheceu que "a presença de pessoas de alta periculosidade pertencentes ao PCC está minando" as penitenciarias, com um alto grau de superpopulação, e reivindicou a construção de novas prisões.

Alguns desses criminosos são detidos na delegacia de Assunção da qual Ximenez e Araújo escaparam com ajuda de vários agentes, e na qual os problemas de segurança ficaram patentes após o assassinato de uma jovem em uma cela, cometido por um dos chefes do Comando Vermelho, Marcelo Pinheiro, conhecido como "Piloto", que também foi extraditado ao Brasil após esse episódio.