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Motoristas criticam manutenção de ônibus, mas empresas negam falhas mecânicas em acidentes 

Condutores envolvidos em duas batidas na capital disseram que veículos apresentaram defeito

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Ônibus bateu em 14 veículos e invadiu canteiro central na Paulista
Ônibus bateu em 14 veículos e invadiu canteiro central na Paulista

Dois acidentes de ônibus chamaram atenção nas últimas semanas em São Paulo. Em ambos os casos, os motoristas alegam falha mecânica. No dia 24 de fevereiro, um coletivo desgovernado atingiu 14 carros e foi parar no canteiro central da avenida Paulista. Na última quinta-feira (5),um ônibus bateu na traseira de outro deixando 11 pessoas com ferimentos leves, incluindo o motorista, na Barra Funda, zona oeste da capital.

Em entrevista ao R7, o presidente do sindicato dos motoristas e cobradores, José Valdevan de Jesus dos Santos, afirmou que há “problemas graves de manutenção” nos coletivos. Ele diz que as queixas dos condutores são diárias e acusa as empresas de serem negligentes.


— O motorista muitas vezes faz a ficha relatando problema em um ônibus que muitas vezes não é consertado pela empresa. Sai do jeito que entrou, só muda o motorista. Isso está ocorrendo em quase todas as garagens.

Ele acrescenta que nem todos os casos chegam a público porque os acidentes são evitados.


— Faz cerca de 20 dias, na Viação Campo Belo, três motoristas já tinham relatado problema no freio de um biarticulado. Esse ônibus foi para a rua e faltou freio com o carro lotado. Graças a Deus, ele [condutor] conseguiu parar e não aconteceu uma tragédia. Se isso não se resolver logo, a tendência é que os problemas se tornem cada dia mais frequentes.

Já o presidente do SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo), Francisco Christovam, afirma que os dois veículos já foram vistoriados e que as versões dos condutores não se comprovaram.


— Aquele acidente que aconteceu na Barra Funda, foi problema do ônibus de trás não parar. O veículo já foi levado para a garagem, foi feita uma inspeção do freio, que estava funcionando regularmente, sem nenhum problema.

Segundo a SPTrans, o veículo envolvido no acidente da Barra Funda foi aprovado em uma vistoria há menos de um mês. O ônibus entrou em circulação em 2012.


O episódio da avenida Paulista terminou sem vítimas. De acordo com Christovam, naquele caso também não houve problema mecânico.

— O [acidente] da Paulista foi a mesma coisa. E ainda veio uma história de ato de heroísmo do motorista, porque travou o acelerador e o freio faltou. Muita coincidência para quem é do ramo. Dois eventos opostos: o acelerador travou e o freio falhou. Na garagem, chamaram os inspetores, foi feita a perícia e não foi constatado problema de freio e nem de acelerador.

O motorista da Viação Gato Preto que dirigia o ônibus acidentado na Paulista tirou férias forçadas enquanto as investigações do acidente não são concluídas. São cinco apurações paralelas: da seguradora, da Polícia Civil, da SPTrans, do fabricante e da própria empresa.

Dados

As empresas negam falhas na manutenção. Segundo o SPUrbanuss, os 8.500 veículos das empresas concessionárias rodam diariamente 1,3 milhão de km. Com base nisso, a média é de um acidente a cada 54 mil km percorridos.

Ainda segundo o sindicato patronal, em 70% dos casos não há responsabilidade dos operadores. São causas externas, como a imprudência de outros motoristas.

A SPTrans diz que fez 3.605 vistorias em ônibus no mês de fevereiro, sendo que 421 foram reprovados e só poderão voltar a circular após nova verificação. 

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