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Museu da Imigração de SP reabre após 4 anos

Local havia fechado para restauro e ainda atendia pelo nome "Memorial do Imigrante"

São Paulo|Do R7

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No fim do século 19 e início do século 20, milhões de imigrantes italianos chegaram ao porto de Santos para trabalhar nas plantações de café e posteriormente na indústria. Em 2013, 2,6 mil haitianos chegaram à capital paulista. Nos últimos meses, centenas vieram do Acre, após o fechamento do abrigo em que viviam.

Entre esses dois momentos, São Paulo foi o destino de muitos outros grupos de imigrantes, como japoneses, espanhóis, portugueses, chineses, bolivianos, árabes e, mais recentemente, africanos. Após quatro anos fechado para reforma, o Memorial do Imigrante reabre as portas no próximo sábado (31) - totalmente repaginado e com novo nome: Museu da Imigração do Estado de São Paulo.


Segundo a diretora executiva da instituição, Marília Bonas, a intenção é aproximar o períodos das migrações. 

— Queremos encurtar a distância entre a imigração do passado e a do presente.


A instituição, que funciona justamente no prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás. Entre 1887 e 1978, o local recebeu cerca de 2,5 milhões de pessoas, vindas de 70 nacionalidades diferentes, além de muitos brasileiros, que chegavam sobretudo do Nordeste - o ranking dos que passaram por lá é liderado pelos italianos, seguidos por espanhóis, brasileiros, portugueses e japoneses. Hoje o prédio é dividido entre o museu e o Arsenal da Esperança, um centro de acolhida para adultos em situação de rua.

O lugar foi fechado em 2010 para restauração do prédio, tombado desde 1982 pelo (Condephaat) Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado, e reformulação do espaço expositivo. Assim como a maioria dos museus atualmente, ganhou muito conteúdo audiovisual e interativo. Dividida em nove módulos, a exposição terá documentos, fotos, vídeos, depoimentos e objetos que faziam parte do cotidiano da antiga hospedaria.


Nesse período em que ficou fechado, o museu reforçou sua presença na internet. Foi para o ar o novo site do Museu da Imigração, com todo o acervo da instituição, digitalizado e disponível gratuitamente. No total, o www.museudaimigracao.org.br abriga 87.640 imagens históricas, 3.223 cartas, 2.824 mapas, 9.740 documentos iconográficos, 2.098 recortes de jornal e informações como nome completo, data de nascimento e origem dos cerca de 1,5 milhão de imigrantes que passaram pela hospedaria.

Reinauguração


A nova exposição que foi montada para a reabertura promete impressionar. Em um dos ambientes, o visitante saberá exatamente como eram os dormitórios em que ficavam os imigrantes e o local onde faziam as refeições. As gavetas de um grande móvel de madeira poderão ser abertas. Dentro delas, haverá fac-símiles de cartas escritas pelos imigrantes na época, segundo Marília.

— É uma espécie de voyeurismo. Lendo essas cartas, o público entenderá melhor como era a experiência individual da imigração

Inicialmente quatro bairros estarão representados na exposição de longa duração: Santo Amaro, Brás, Mooca e Bom Retiro - todos escolhidos por terem forte identificação com imigrantes.

Durante a reforma, que custou R$ 20 milhões, também foi descoberto um letreiro em uma das paredes com orientações para imigrantes. "Se saírem da Hospedaria, não poderão mais retornar", diz um dos avisos. A diretora explica que era um aviso contra trabalho sem regulamentação do governo.

— Era um alerta para que não fossem cooptados por aliciadores, que os chamavam para trabalhar nas fazendas de café sem o intermédio do governo

Para o espaço das exposições temporárias, o museu já negocia parcerias com o museu de Ellis Island, que conta a história dos imigrantes que chegaram aos Estados Unidos também nos séculos 19 e 20, e com o Museu de Imigração de Buenos Aires . Nos primeiros dois meses de funcionamento do Museu da Imigração, localizado na rua Visconde de Parnaíba, 1316, próximo ao metrô Bresser-Mooca, a entrada será gratuita. Depois, o ingresso para as exposições custará R$ 6, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo.

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