Logo R7.com
RecordPlus

Músico uruguaio afirma ter sofrido xenofobia no metrô de São Paulo

Funcionário teria mandado Miguel Menchaca voltar para o país dele

São Paulo|Do R7

  • Google News
Miguel (foto) registrou um boletim de ocorrência
Miguel (foto) registrou um boletim de ocorrência

O músico uruguaio Miguel Menchaca afirmou ter sido vítima de xenofobia na estação Trianon-Masp do metrô de São Paulo no início do mês e o caso esta sendo analisado pela Justiça paulista, revelou nesta segunda-feira (23) o próprio artista. Miguel estava esperando na fila para entrar na plataforma por volta das 18h quando um guarda permitiu a entrada de uma mulher pelo acesso preferencial reservado a pessoas idosas, gestantes ou com necessidades especiais.

— Fui perguntar educadamente se eu poderia usar aquele acesso também, já que outra pessoa havia usado. Então ele começou a gritar grosseiramente para mim: "shut up! Shut up! [cale a boca]".


Em seguida, o músico questionou a postura do guarda, alegando que queria saber apenas como funcionavam as regras da estação.

— Foi então que ele começou a gritar para mim "volte para o seu país" repetidamente. 


Miguel, registrou ocorrência uma semana depois, em 17 de dezembro na Decradi Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância. Junto com ele estava o Delegado da Conferência Nacional sobre Migrações e Refúgio, o peruano Ives Berger, que está ajudando no processo burocrático para registrar o crime.

Ao buscar ajuda com outro funcionário da estação, o cantor disse ter sido surpreendido ao descobrir que o supervisor daquele turno era o próprio funcionário que havia gritado com Miguel.


— Nós questionamos se ele tinha noção de que o que tinha feito era crime e ele tentou se justificar dizendo que aquilo era comum em São Paulo, que eles faziam isso até com os nordestinos.

Leia mais notícias de São Paulo


Segundo ele, que também dirige um portal voltado para a comunidade latina no Brasil, casos como o de Miguel têm sido cada vez mais comuns. Ele sente estranhamento dos imigrantes com a recepção em São Paulo.

— Ele me contou que isso já havia acontecido antes. Esse tipo de reação tem crescido no estado e muitos estrangeiros não sabem que há uma lei ou como denunciar este tipo de crime. [...] Estas notícias não chegam em países fora do Brasil. Os latinoamericanos e os europeus têm a visão de que aqui é o paraíso.

Em nota, o Metrô de São Paulo diz que "está apurando o ocorrido que após a investigação serão tomadas as medidas necessárias". Segundo Ives, Miguel tem uma reunião marcada com o presidente do Metrô no próximo dia 30.

Neste mês, a Justiça de São Paulo condenou o Shopping Cidade Jardim a pagar uma indenização de R$ 6.700 ao também músico cubano Pedro Damián Bandera Izquierdo como indenização por danos morais por um ato, segundo a vítima, de racismo em 2010 por seguranças do lugar.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.