"Não houve indício que anunciasse nenhuma tragédia", diz colégio onde suspeito de matar família estudava
Aulas na escola foram suspensas esta semana e serão retomadas na próxima segunda-feira
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

O colégio Stella Rodrigues, onde estudava Marcelo Eduardo Pesseghini, de 13 anos, principal suspeito de ter matado os pais — um casal de policiais militares —, a avó e a tia-avó, suspendeu as aulas esta semana. Um comunicado no portão da unidade 2 avisava, nesta terça-feira (7), que as atividades serão retomadas na próxima segunda-feira (12). A nota ainda dizia que, no último dia em que o rapaz esteve na escola, “não houve indício que anunciasse nenhuma tragédia”.
“Em sua última presença no colégio, em 05/08/2013, o Marcelo se comportou normalmente como sempre, participando de todas as atividades propostas e com o mesmo jeitinho carinhoso com seus professores e funcionários em geral; sentiu no colégio o seu porto seguro! Não deu nenhuma mostra de estar em choque. O que aconteceu, aconteceu fora do ambiente escolar! É incompreensível. Não houve indício que anunciasse nenhuma tragédia”, diz um trecho da nota. A escola também define Marcelo como “um garoto dócil, alegre, com boas relações com os colegas e com o corpo docente do colégio”.
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A instituição também cita a participação dos pais durante os cerca de sete anos em que Marcelo esteve matriculado. “Quanto aos pais, Luis Marcelo e Andreia, sempre foram participativos, atuantes e presentes em todas as atividades relacionadas à escola/família/aluno, acompanhando sempre de perto seu desenvolvimento pedagógico e pessoal”.
Segundo a coordenadora pedagógica, Solange Oliveira, o colégio não se manifestará mais sobre o caso por "questões de sigilo policial". A escola ainda acrescentou que vai contratar profissionais especializados para "o acolhimento dos nossos alunos e seus familiares no retorno às atividades escolares".
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Versão da polícia
Para as polícias Civil e Militar, entre o fim da noite de domingo (4) e a madrugada de segunda-feira (5), o adolescente assassinou os pais na sala da casa onde moravam. Depois, teria ido à casa da avó, no mesmo terreno, onde ela estava com a irmã, que a visitava frequentemente. As duas também foram atingidas por tiros na cabeça, possivelmente, durante o sono. Em seguida, as investigações indicam que ele pegou o carro da família, pouco depois de 1h, e foi até a rua da escola particular onde estudava, a cerca de 5 km da residência. Ele ficou dentro do veículo por aproximadamente quatro horas.
Câmeras de segurança de um prédio próximo ao colégio flagraram Marcelo saindo do carro, por volta de 6h20. Com uma mochila nas costas, ele aparece caminhando sozinho pela calçada. Naquela manhã, o jovem foi à aula normalmente e ao sair pegou carona com o melhor amigo e com o pai dele.
Já dentro do carro, o adolescente disse ter visto o carro da mãe e que iria falar com ela. Saiu, buscou algo e voltou. Ele foi deixado em casa no começo da tarde. A polícia acredita que Marcelo tenha cometido suicídio por volta das 13h. O corpo dele estava na mesma sala onde o pai e a mãe foram mortos. A chave do veículo foi encontrada no bolso do casaco do rapaz.
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