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Nova chefe do Conpresp quer mutirão nos tombamentos

Ideia é tornar prédios históricos atraentes para mercado imobiliário e iniciativa privada

São Paulo|Do R7

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A preservação do patrimônio de São Paulo não pode mais ser tratada apenas com o recurso do tombamento. É preciso dar uma dimensão urbanística e tornar os prédios históricos economicamente atraentes, principalmente para o mercado imobiliário e a iniciativa privada. É o que diz a arquiteta Nádia Somekh, que assumiu nesta semana a diretoria do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico) e a presidência do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio), do qual já era conselheira havia dois anos.

Nádia quer votar os processos em 15 dias — hoje, uma decisão sobre tombamento ou autorização de reforma pode levar anos na pauta do conselho.


— Cerca de 60% do que está no Conpresp não é tarefa nossa, pode ser resolvido na subprefeitura. Vamos fazer um mutirão e dividir em temas: tombamento, aprovação de projetos e regularização. Quero criar um balcão único com o Condephaat (órgão estadual) para que o munícipe entre com um só processo.

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Ela também vai pleitear, com a ajuda do secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, a inclusão de São Paulo no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas, que oferece recursos federais para a recuperação do patrimônio.

— Quero retomar esse diálogo com o governo federal para incluir a cidade.


Sobre as polêmicas da gestão anterior — como o tombamento do Cine Belas Artes e, mais recentemente, a desapropriação do imóvel —, Nádia diz que não gosta de usar o tombamento como "instrumento de coerção". E afirma já ter uma "estratégia" para tentar convencer o dono do imóvel de que o local pode ser economicamente atraente sem virar loja.

— Já tem a Paulista inteira para fazer loja. Mas a desapropriação tem de ser o último recurso.


Formada na USP, Nádia acredita que o mundo inteiro já percebeu que a preservação histórica pode ser economicamente viável — e o setor imobiliário em São Paulo, aos poucos, se dá conta disso.

— É preciso promover a valorização social e econômica dos bens históricos. Com a perda de identidade que veio da globalização, a tendência das cidades contemporâneas é de valorizar a memória e descobrir que o patrimônio é um ativo, gera valor agregado.

Conseguir investimentos da iniciativa privada é um dos desafios da gestão.

— Quero recursos públicos e privados também. Tem de regular no Plano Diretor, mas o mundo inteiro já faz isso. Um exemplo é o South Bank, em Londres, que teve o patrimônio industrial recuperado pela iniciativa privada com apenas uma parte de recursos públicos.

Nádia acredita que os bens tombados têm de estar inseridos em uma dimensão urbanística e não podem ser tratados individualmente.

Ex-funcionária dos governos da então petista Luiza Erundina, hoje no PSB, e de Marta Suplicy (PT), Nádia é entusiasta do Arco do Futuro, projeto urbanístico da atual gestão Fernando Haddad (PT). Ela nega que a revitalização de áreas como a Mooca, com seus galpões tombados, vá destruir a arquitetura típica do local.

— A seleção dos projetos urbanísticos vai levar em conta o critério da preservação.

Ela critica ainda o modelo de desenvolvimento de São Paulo.

— Uma cidade de condomínios fechados é uma anti-cidade. Precisamos passar por uma sensibilização cidadã. Hoje, o dono de um imóvel tombado acha isso uma dor de cabeça. Se há uma educação patrimonial, isso passa a não ser desconfortável.

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