O maior desejo da vida dela é rever a filha, diz defesa de Elize Matsunaga
Advogados devem explorar resultado do laudo de exumação do empresário em julgamento
São Paulo|Ana Ignacio, do R7

Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido dentro do apartamento em que morava com a família, chegou ao Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, por volta das 9h. De acordo com um dos advogados de defesa, Luciano Santoro, a ré está ansiosa pelo julgamento que começa nesta segunda-feira (28). Ele afirma que o maior desejo de sua cliente, que está detida na penitenciária de Tremembé desde 2012, é um dia rever a filha.
— Estivemos com a Elize semana passada. Ela está ansiosa com esse julgamento porque ela sabe que é extremamente importante para a relação dela com a filha. Ela tem uma extrema preocupação de um dia rever a filha, é o maior desejo da vida dela. Faz quatro anos que ela está impedida de sequer sentir o cheiro da filha. A preocupação maior dela é com a filha e sempre vai ser a filha.
Na época do crime, a filha do casal estava com um ano. Hoje a garota tem cinco e mora com os avós paternos. Elize chegou a escrever uma carta para a menina, divulgada neste fim de semana.
Conforme a defesa já havia adiantado, serão exploradas neste júri provas que não tiveram tanta atenção durante o processo, como o laudo de exumação do corpo do empresário. Com isso, os advogados devem tentar comprovar que não há confirmação se Marcos Matsunaga estava vivo no momento em que Elize iniciou o esquartejamento (que caracterizaria o meio cruel, uma das qualificadoras colocadas pela acusação — Elize responde por homicídio doloso triplamente qualificado).
— [Vamos mencionar] o Laudo de exumação, as pessoas lembram dele. Teve uma nota de um minuto no jornal do almoço e alguns segundos em outros jornais e depois lembrando o laudo necroscópico.
O laudo necroscópico indicava que Marcos morreu de traumatismo crâneoencefálico por tiro associado à asfixia respiratória por sangue aspirado devido a decapitação — o que comprovaria que ele ainda estava vivo quando foi decapitado pela mulher.
Além dos advogados de defesa, o promotor José Carlos Cosenzo e o assistente de acusação Flávio D'Urso também estão no fórum da Barra Funda, onde ocorre o júri.

O caso
O empresário Marcos Matsunaga foi morto dentro do apartamento em que morava com a mulher, Elize Matsunaga, e a filha do casal, então com pouco mais de um ano, no dia 19 de maio de 2012. Alguns dias antes, Elize havia confirmado que o marido estava tendo um caso com outra mulher — ela contratou um detetive particular para segui-lo.
No dia do crime, um sábado, imagens de câmera de segurança do prédio mostram que Marcos desce para pegar uma pizza por volta das 20h. No dia seguinte, Elize é vista no elevador do prédio saindo de casa com três malas, já com o corpo do marido dentro.
Na segunda-feira (21), as primeiras partes do corpo de Marcos começaram a ser localizadas em Cotia, na Grande São Paulo. Inicialmente, Elize tenta simular o sumiço do marido e chega a enviar e-mails para a família se passando por ele e dizendo que estava tudo bem.
Em junho, Elize confessa o assassinato e esquartejamento do marido e diz que o crime ocorreu após uma briga seguida de agressão — segundo as investigações, os dois enfrentavam problemas no casamento e brigavam com frequência. Ainda em junho, Elize foi levada para o presídio de Tremembé, onde ficou detida até a data do julgamento.














