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Obra de Tomie Ohtake na Paulista é rejeitada

Conflito entre croqui e planta que divergem sobre local de instalação da obra seria motivo

São Paulo|Do R7

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Local da obra: cruzamento da avenida Paulista com a rua da Consolação
Local da obra: cruzamento da avenida Paulista com a rua da Consolação

Um parecer técnico da Prefeitura pode inviabilizar um dos últimos desejos da artista plástica Tomie Ohtake, morta em fevereiro: a instalação de uma escultura sua na avenida Paulista.

A história começou em setembro de 2013, quando a artista inaugurou uma obra em Santo André, no ABC paulista. Alguém lhe perguntou onde mais gostaria de ter uma escultura, e Tomie respondeu prontamente que seria na Paulista.

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Vale lembrar que, entre as cerca de 50 obras públicas da artista, há uma já instalada na via desde 2007, em frente ao Edifício Santa Catarina - projetado por seu filho Ruy Ohtake. Entretanto, apesar das vistas do público e do espaço aberto, tal escultura está em terreno privado.

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Dirigentes da Associação Paulista Viva souberam da declaração de Tomie e a procuraram com a proposta: faça um projeto e nos encarregamos de viabilizar a instalação. Meses antes de sua morte, aos 101 anos, Tomie entregou a encomenda.

Como costumava fazer, esculpiu a obra em escala reduzida - com cerca de 20 centímetros de altura -, e previu seu tamanho real, dando outras especificações. Um assistente encarregou-se de reproduzi-la, ainda em miniatura, mas com materiais duráveis, e em vermelho.

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Tudo foi entregue à Associação Paulista Viva para os trâmites necessários. A entidade participou de reunião com a Prefeitura ainda em 2013 e, no ano seguinte, foi atrás de um patrocinador. O Citibank topou financiar a execução da obra e um local foi escolhido: a praça do Ciclista, no cruzamento com a rua da Consolação.

Para a família Ohtake, em breve, uma das últimas criações de Tomie ganharia visibilidade na via mais simbólica da capital.

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Mas veio a negativa. Em reunião em 19 de junho, a Comissão de Gestão de Obras e Monumentos Artísticos em Espaços Públicos, do Departamento de Patrimônio Histórico, órgão da Secretaria de Cultura do Município, indeferiu o pedido.

O órgão explicou que a desaprovação se deu por razões técnicas. Entre elas, um conflito entre o croqui e a planta apresentados, que divergem sobre o local exato de instalação da obra - que teria 7 toneladas - na praça.

Também foi argumentado que "há incompatibilidade entre a implantação da escultura e o traçado da ciclovia proposta" e que "a escultura é desproporcional à dimensão do traçado urbano existente, prejudicando a leitura do eixo visual" da Paulista.

A Secretaria da Cultura informou que está em andamento uma "proposta de implantação de obra de arte na Praça do Ciclista, a ser realizada por meio de concurso público, em homenagem aos ciclistas que foram vítimas do trânsito da cidade".

Talvez desconhecendo o desejo de Tomie, o órgão também sugeriu "outros locais para implantar a obra", entre eles a Praça Panamericana, por causa da proximidade do Instituto Tomie Ohtake.

Na terça-feir (7), o arquiteto e designer Ricardo Ohtake, filho da artista e diretor do Instituto Tomie Ohtake, reuniu-se com a Associação Paulista Viva e o Citibank.

— Surgiram ideias de outros locais na própria Paulista, mas ainda não tomamos uma decisão.

O vice-presidente da Paulista Viva, Antonio Carlos Franchini, também se mostrou otimista quanto a manter a obra na Paulista.

— Vamos identificar um local.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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