São Paulo Para polícia, marmitas não foram contaminadas por voluntárias

Para polícia, marmitas não foram contaminadas por voluntárias

Alimento supostamente envenenado resultou na morte de dois homens que viviam em situação de rua em Itapevi, na região metropolitana de SP

  • São Paulo | Elizabeth Matravolgyi, da Agência Record

Marmita contaminada em Itapevi

Marmita contaminada em Itapevi

Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo acredita que as marmitas que causaram a morte de dois homens em situação de rua em Itapevi, na região metropolitana de São Paulo, na última quarta-feira (22), tenham sido contaminadas após a entrega pelos voluntários. 

A Polícia Civil iniciou as investigações com três linhas de investigação no caso: a primeira era que a marmita teria sido entregue a Vagner já contaminada, a segunda a marmita teria sido contaminada propositalmente após ter sido entregue à Vagner e a terceira a comida estaria estragada.

Após ouvir 14 depoimentos, entre familiares, testemunhas e pessoas que estavam no posto no dia da morte, a polícia acredita que Vagner era o alvo e que as marmitas que ele recebeu foram contaminadas no intervalo de tempo entre a entrega pelos voluntários e o momento em que as vítimas se alimentaram. A polícia acredita também que Vagner entregou as marmitas de forma inocentes para seus amigos.

Uma mulher chamada Agda, que costuma cozinhar marmitas para moradores de rua, na cozinha de uma igreja, procurou a delegacia e disse que havia entregue alimentos na noite de terça. Durante o depoimento, dona Agda disse que ela e a família ingeriram a comida que fora colocada nas marmitas e que ninguém passou mal. Ela também não reconheceu os pontinhos pretos que foram encontrados na refeição como sendo um tempero.

A polícia foi até a cozinha dela nesta tarde e realizou uma perícia no local. Outros voluntários e um morador de rua que viu Vagner antes de sua morte também prestaram depoimentos nesta sexta-feira (24).

O delegado aguarda os exames necroscópicos e toxicológicos para concluir o inquérito.

Outras vítimas

Além dos dois homens que morreram, uma criança e uma adolescente também comeram a marmita contaminada e foram levadas para o hospital.

Fábio Abraão Jorge de Araújo, de 11 anos, permanece entubado e internado no Hospital Geral de Pirajussara nesta sexta-feira (24), segundo seu pai Flávio Araújo. Ele está tomando uma medicação preventiva na veia, caso o conteúdo da comida esteja de fato contaminada.

Nesta madrugada, Jeniffer Naiara Cardoso Romano, de 17 anos, acordou e já está falando. Ela recebeu alta da UTI e permanece internada no Hospital Geral de Osasco e seu estado de saúde é estável, ainda segundo Flávio Araújo.

O caso

Dois homens, em situação de rua, morreram após comerem uma marmita que estaria contaminada em um posto abandonado na Avenida Rubens Carmez, na altura do número 1600, em Itapevi, na Grande São Paulo, durante a madrugada desta quarta-feira (22). Uma criança, de 11 anos, e uma adolescente, de 17, estão internados após terem contato com o mesmo alimento.

De acordo com a Prefeitura do município, ainda não se sabe qual a substância que teria causado o envenenamento e tão pouco quem entregou as marmitas para as vítimas.

Ainda segundo a Prefeitura, na noite de ontem (21), ambos os homens em situação de rua, Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, de 37 anos, e José Araujo Conceição, de 61 anos, foram abordados por assistentes sociais, mas não aceitaram ir para o abrigo que fica no Ginásio do Centro de Iniciação ao Esporte (CIE), que recebe pessoas em situações de rua durante a pandemia da COVID-19.

Segundo a irmã de Vagner, Fernanda Maria da Conceição Oliveira, o parente era usuário de crack e cocaína. Ela ainda afirmou que ele frequentava o posto desativado da Rodovia Engenheiro Renê Benedito da Silva para fazer uso de drogas, onde recebeu a marmita.

A reportagem teve acesso ao vídeo que registra a entrega das marmitas. Vagner teria recebido o alimento de uma pessoa independente à prefeitura.

Segundo informações iniciais, Vagner teria a marmita a José, que é morador de rua, e a Flávio de Araújo. Sendo que o último recebeu a marmita enquanto estava em casa e dividiu o alimento com o seu filho Fábio Abraão Jorge de Araújo, de 11 anos, e sua namorada Jeniffer Naiara Cardoso Romano, de 17 anos.

Fábio Abrãao, de 11 anos, está internado no Hospital Geral de Pirajussara e Jeniffer Naiara, de 17 anos, está no Pronto Socorro Central de Itapevi, onde aguarda vaga para ser transferida para um hospital da rede estadual de saúde, de acordo com a Prefeitura de Itapevi. Ambos estão em estado grave.

Viaturas do Samu foram acionadas às 04h07 de hoje e cerca de 20 minutos depois, os moradores de rua foram socorridos ao Pronto Socorro de Itapevi, mas não resistiram e morreram. Não há informações de quem teria feito o chamado.

Um cachorro, que estava com as vítimas, também comeu o alimento envenenado e faleceu.

A Polícia Civil, que investiga o caso, trabalha com a hipótese de intoxicação por envenenamento. Nas marmitas foram enbcontradas pequenas bolinhas pretas, que pode se tratar de "chumbinho", um veneno de rato.

As equipes ainda não possuem informação de quem teria fornecido as marmitas, já que diversos grupos prestam assistência às pessoas em situação de rua na região.

Ainda segundo a Delegacia de Itapevi, que registrou o caso, não sabe se o alimento foi entregue ontem. De acordo com o Delegado Aluisio, os moradores de rua da região, por vezes, armazenam as marmitas para comer posteriormente.

A perícia foi acionada e o laudo toxicológico foi pedido com urgência.

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