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Pesquisador quer montar programa para reintrodução de bugios no Horto

São Paulo|Do R7

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O pesquisador Marcio Port-Carvalho, chefe da sessão de animais silvestres do Instituto Florestal, se habituou, em seus 13 anos vivendo dentro do Horto Florestal de São Paulo, a encerrar o dia ouvindo a vocalização de bugios antes de eles dormirem.

Em meados de outubro do ano passado, esse som começou a desaparecer. No final do ano, já era só silêncio. "Todos morreram no Horto: 86 animais. Quase 80% deles (67) nós encontramos os corpos. No corredor que liga com o Parque Estadual da Cantareira, onde vai para a Pedra Branca, também os bichos morreram. Esse vírus é uma praga", diz em referência ao vírus da febre amarela, que chegou a região norte de São Paulo provavelmente via Mairiporã, após ter entrado no Estado por Minas, em maio do ano passado.

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"A gente conhecia todos os grupos que viviam por aqui, víamos todos os dias, eles até tinham nome, acompanhamos a morte de todos", conta.

A primeira morte foi o alerta para que tivesse início uma vacinação em massa na cidade de São Paulo. Desde então, 1,3 milhão de pessoas receberam a vacina. Para os animais, a proteção, porém, não existe.

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"Muita gente nos perguntou hoje por que não fizemos alguma coisa, não tiramos os bichos de lá. Mas uma vez que o vírus está no local, não tem muito o que fazer. Ele é super difícil de capturar. Anda a 20 metros de altura, não entra em armadilha. E mesmo se pegássemos, não teria para onde levar, não tem recurso para isso", desabafa. "A solução é a saída que foi adotada mesmo - vacinar os seres humanos, diminuir a circulação viral."

O trabalho de monitoramento da fauna foi realizado no Horto, que tem apenas 179 hectares de área. Mas o pesquisador diz não conseguir nem estimar o impacto que o vírus pode ter tido sobre a população do Parque da Cantareira, contíguo ao horto, mas muito maior - são 8 mil hectares de área. Lá havia uma estimativa, referente a 2007, de viverem cerca de 4 mil bugios.

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Neste momento, Port afirma que não há muito mais o que fazer, além de esperar o controle da epidemia. Tentar colocar animais de volta ao parque é condená-los à morte. Mas para o futuro, a ideia é, sim, fazer a reintrodução de famílias.

No Departamento de Áreas Verdes da capital há pelo menos 22 animais, de cinco famílias, que poderão vir a passar por um processo de reintrodução à natureza. São indivíduos que vieram dos parques da região norte e por algum motivo foram feridos e tiveram de ir para reabilitação.

"Quero fazer um programa com a estratégia de fazer um reforço populacional, introduzir grupinhos de cativeiro. Mas eles terão de aprender a viver de novo em natureza, e teremos de monitorar diariamente para ver se está dando certo. Isso vai custar dinheiro, mas é a saída."

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