São Paulo PF prende em SP espanhol condenado por massacre de 1977

PF prende em SP espanhol condenado por massacre de 1977

Carlos García Juliá, um dos autores do 'massacre de Atocha', estava foragido desde 1994 foi encontrado por policiais federais na Zona Oeste de São Paulo

  • São Paulo | Fábio Fleury, do R7

Monumento em Madri homenageia os 5 mortos no "massacre de Atocha", em 77

Monumento em Madri homenageia os 5 mortos no "massacre de Atocha", em 77

Wikimedia-commons

A Polícia Federal prendeu, na Barra Funda (Zona Oeste de SP), o espanhol Carlos García Juliá, um dos autores do chamado "massacre de Atocha", atentado terrorista de extrema-direita que aconteceu durante a transição da Espanha para a democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1977.

Juliá e seu comparsa, José Fernández Cerrá, foram condenados a 193 anos de prisão. Os dois invadiram um escritório de advogados trabalhistas na rua Atocha, em Madrid, no dia 24 de janeiro de 1977 e abriram fogo.

Nove vítimas

No tiroteio, morreram cinco pessoas, os advogados Enrique Valdelvira Ibáñez, Luis Javier Benavides Orgaz e Francisco Javier Sauquillo, o estudante de Direito Serafín Holgado e o auxiliar-administrativo Ángel Rodríguez Leal. Outras quatro pessoas ficaram gravemente feridas.

Os criminosos, que agiram com outros três cúmplices, eram de um grupo que se posicionava contra a reabertura política da Espanha após a morte de Franco. Francisco Albadalejo, autor intelectual do atentado, foi condenado a 73 anos de prisão.

Fuga para a América do Sul

García Juliá cumpriu pena na Espanha até 1994, quando fugiu para o Paraguai após receber a liberdade condicional. Ele chegou a ser detido na Bolívia, por tráfico de drogas, em 1996, e passou dois anos em um presídio em La Paz.

Depois disso, as autoridades espanholas perderam o seu rastro durante mais de 20 anos. Até que ele foi localizado e preso na última quarta-feira (5) à noite.

Segundo nota divulgada pela Polícia Federal, os investigadores da entidade que também trabalham para a Interpol descobriram que García Juliá estaria vivendo no Brasil com uma identidade falsa.

Os detalhes da captura serão divulgados pela PF durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (7). Ainda não há informações sobre um possível pedido de extradição de Juliá para a Espanha.

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