Piada pode custar mais de R$ 5.000 a estudante barrada em voo
Ela participaria de congresso internacional, mas pai fez brincadeira sobre terrorismo
São Paulo|Do R7, com Agência Record e Fala Brasil

A USP (Universidade de São Paulo) quer que a jovem, barrada ao tentar embarcar do Brasil para a Indonésia, pague os custos da passagem. A estudante participaria de um congresso em Bali, mas foi impedida de viajar depois que o pai fez uma piada sobre terrorismo perto de funcionários da companhia aérea.
De acordo com nova enviada pela USP, a instituição, "através de seu Programa de Apoio à Internacionalização da Graduação, pagou as passagens de ida e volta à aluna no valor total de R$ 5.393,05". E segundo o edital do programa, todos os alunos "devem prestar contas à universidade apresentando o certificado de participação nas atividades desenvolvidas no exterior. Caso a aluna não participe do congresso, deverá arcar com os custos das passagens".
Impedida de viajar
A suspeita da companhia aérea impediu Thaís Buratto da Silva, de 24 anos, não só de embarcar para a Ásia, mas de começar a carreira exatamente como ela imaginou. Ela acabou de se formar em Gestão Ambiental na USP. Thaís explica que passaria uma semana em Bali, a capital da Indonésia, para apresentar um trabalho em um congresso internacional sobre meio ambiente.
— Meus trabalho de conclusão de curso veio desse projeto, foi uma parte desse projeto, então eu me dediquei um ano e meio nesse projeto. Foi muito gratificante a hora que eu recebi a notícia que eu tinha conseguido, que eu ia conseguir a passagem, que o trabalho tinha sido aceito.
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Pai e filha estavam na fila do check in. Depois que Thaís respondeu a uma séria de perguntas do funcionário da companhia aérea, o pai da jovem, Renato Carmargo da Silva, que não embarcaria com ela, fez um comentário.
— Alguma coisa do tipo: "Ainda bem que não te confundiram com um terrorista, alguma coisa do gênero". (...) Por conta disso, ela foi impedida de embarcar.
A brincadeira teria gerado suspeitas entre os funcionários da companhia aérea. Nada do que Thaís disse adiantou. O que aconteceu com a universitária poderia ter ocorrido com qualquer passageiro. No Brasil, as regras da aviação civil dão total autonomia para as companhias aéreas decidirem quem entra e quem fica do lado de fora do avião, mesmo que a pessoa esteja com todos os documentos em ordem.
Além de irregularidades na bagagem ou com a Justiça do País, outros detalhes também podme levar a empresa a barrar o passageiro: atitudes consideradas como indisciplina, ameaças à segurança do aeroporto ou do voo, ou ainda uma suspeita de doença contagiosa.
Criança barrada em voo
Na semana passada, a coreógrafa Débora Colker anunciou que entraria na Justiça contra uma companhia aérea brasileira que quase impediu o neto dela, de três anos, de viajar. O menino tem uma doença genética rara e não contagiosa que provoca ferimentos na pele.
Sem atestado médico, a tripulação teria chegado a pedir que a família deixasse o avião. Mas uma médica que também estava na aeronave acabou resolvendo o problema.
No caso de Thaís, a empresa aérea não só impediu o embarque, como informou que a jovem não poderia viajar em nenhum outro voo da companhia. Em nota, a Qatar Airways informou que "a segurança de nossos passageiros e tripulação é prioridade número um na Qatar Airways. Ontem (domingo), por razões de segurança uma passageira teve embarque não autorizado. Nossos funcionários seguiram nossa política de segurança na qual a tolerância é zero."
Anac
A Anac informou que não vai se pronunciar sobre o caso até o fim de um processo que vai apurar os fatos. O órgão ainda enfatizou que existe o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil contra Atos de Interferência Ilícita, que "apresenta definição de passageiro indisciplinado como sendo o passageiro que não respeita as normas de conduta em um aeroporto ou a bordo de uma aeronave ou que não respeita as instruções do pessoal de aeroporto ou dos membros da tripulação e, por conseguinte, perturba a ordem e a disciplina". Uma norma da Anac também autoriza as companhias aéreas, em determinados casos e conforme previsto em suas políticas próprias, impedir o embarque do passageiro.
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