Plantas sinalizam poluição a menos de 50 km da nascente do rio Tietê
Em Mogi Das Cruzes, aguapés e alfaces d'água indicam o início do trecho de 122 km do Tietê que está mais poluído. Moradores reclamam do mau cheiro
São Paulo|Márcio Neves, do R7

As plantas aquáticas que costumam encobrir boa parte do leito do rio Tietê em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, são um sinal de que o rio mal nasce e já começa a ser poluído. Logo em seus primeiros 50 km extensão é possivel ver o rastro causado pela falta de saneamento. Ao todo, o rio Tietê tem 1.100 km.
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"Os aguapés e alfaces d'água costumam proliferar se alimentando dos resíduos orgânicos, principalmente esgoto e lixo que já são despejados no Tietê naquele trecho", explica a bióloga Nadja Soares de Moraes.
Nadja explica ainda que a vegetação é algo normal em margens de rios e que o problema é o crescimento desordenado. "Essas plantas áquáticas são normais, mas essa carga orgânica [esgoto] despejada no rio acaba causando esse desequilíbrio destas espécies".
Quem mora ou trabalha na região, diz que no período de seca, em que o nível de água está mais baixo, as plantas chegam a fazer o rio desaparecer.
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"Em agosto, não dava para saber o que era rio, o que era mato, encobre tudo e fica um cheiro bem ruim", diz o frentista Gustavo Ferreira Santos, de 28 anos , que trabalha bem próximo a uma das margens do Tietê em Mogi das Cruzes.

Rastro de poluição
A reportagem do R7 percorreu alguns trechos do Tietê na cidade e constatou o despejo de esgoto e lixo em alguns pontos do rio. "Muita gente não colabora, até sabe que é errado, mas joga lixo assim mesmo", afirma Karla Yamasaki, 31, que mora a poucos metros da margem do rio.
Segundo dados do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, os seis córregos monitorados pela entidade na cidade, tem a qualidade da água considerada apenas regular —por receber esgoto e dejetos.
Tietê está morto em 122 km
A vegetação que cresce desordenada nesta parte do Tietê sinaliza o início do trecho de 122 km mancha de poluição do rio.
Segundo o relatório do projeto Observando os Rios, os trechos com pior qualidade, onde o Tietê é considerado morto, está entre os municípios de Itaquaquecetuba e Cabreúva, com água em condições péssima e ruim.















