São Paulo PM defende ação, mas vai investigar policiais sem identificação em ato contra Copa

PM defende ação, mas vai investigar policiais sem identificação em ato contra Copa

Corporação diz que invasão a hotel na Augusta atendeu a “pedido de funcionários”

  • São Paulo | Thiago de Araújo, do R7

Quando manifestantes dispersos ainda corriam por ruas da região central de São Paulo, cerca de duas horas depois do primeiro confronto com a Polícia Militar durante o ato contra a Copa do Mundo, a tensão se concentrou no Hotel Linson, localizado na rua Augusta. Lá, a Tropa de Choque prendeu mais de 30 pessoas, as quais com suposto envolvimento com atos de vandalismo.

Em nota enviada ao R7 neste domingo (26), para responder a questionamentos feitos pela reportagem, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que o hotel “foi invadido pelos manifestantes e o Choque entrou por solicitação dos funcionários”. Ainda de acordo com a pasta, “quatro funcionários do hotel são testemunhas da invasão”.

Um vídeo divulgado na internet ainda no domingo, feito pelo fotojornalista Felipe Larozza, mostra um trecho da ação da Tropa de Choque no local (assista abaixo). É possível ouvir ordens de policiais para que todos deitassem no chão. Em determinado momento, um agente pisa na cabeça de uma pessoa que já estava deitada, sem oferecer resistência.

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Também é possível ouvir dois disparos, que seriam de elastômero, que é o nome técnico para bala de borracha. Ambos foram “para o chão, sem atingir os manifestantes”, disse a SSP.

Além do que os ativistas chamaram de “força excessiva”, muitos dos policiais que atuaram durante a ação no hotel não estavam portando suas tarjetas de identificação. Também por meio de nota, a PM disse que “seu uso na farda é obrigatório” e que a denúncia apontada será investigada pela corporação.

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A Corregedoria da PM já informou que também irá investigar a ação de PMs que balearam com dois tiros Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, de 22 anos. De acordo com os agentes, ele seria um integrante da tática black bloc e estaria portando um coquetel molotov, além de ter tentado fugir durante a abordagem e procurado ferir os policiais com um estilete. Ele está internado em estado grave, porém estável, na Santa Casa de São Paulo.

A SSP afirmou ainda, em nota, que "não há escolta" policial no hospital onde o rapaz está internado.

"A Polícia Militar informa que esperou no hospital a autoridade policial deliberar se Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves seria preso ou não. Também aguardou a chegada de um familiar – o irmão de Chaves – para prestar apoio."

Questionada pelo R7 sobre apurações sobre outros eventuais excessos da PM, tanto no hotel quanto nas ruas do centro de SP, e acerca dos procedimentos adotados pelos policiais durante todo o trabalho, a SSP não se pronunciou.

Assista ao vídeo:

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