PM detém seis estudantes após nova ocupação de prédios da administração da USP
Protesto busca pressionar a universidade por melhores auxílios estudantis, que atualmente variam de R$ 335 a R$ 885
São Paulo|Do Estadão Conteúdo
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Seis estudantes foram detidos após a ocupação dos blocos K e L da administração central da USP (Universidade de São Paulo), na Cidade Universitária, zona oeste da capital.
A ação foi realizada na noite da segunda-feira (8), por um grupo de alunos que reivindica mudanças nas políticas de permanência estudantil, e ocorreu poucas horas depois de uma assembleia aprovar a recomendação para o encerramento da greve iniciada em 14 de abril.
A ocupação foi encerrada após acionamento da PM (Polícia Militar). Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), os policiais encontraram no local barricadas bloqueando as entradas dos edifícios, que foram desobstruídas após a retirada dos estudantes.
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Os seis detidos, com idades entre 18 e 22 anos, foram encaminhados ao 7º Distrito Policial, na Lapa, onde prestaram depoimento e foram liberados.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o grupo que reivindica a ação afirma que foram retirados à força do prédio e acusou policiais e agentes da guarda universitária de agir com truculência durante a operação. Procurada pelo Estadão, a Polícia Militar não se manifestou sobre o caso.
A USP afirma que o local foi invadido por pessoas encapuzadas portando paus e cassetetes e que rojões e fogos de artifício foram disparados contra agentes que atuavam no local.
A reitoria informou que integrantes da guarda universitária sofreram escoriações durante a ocorrência e que ao menos três deles precisaram de atendimento no Hospital Universitário.
De acordo com a SSP, após a ação foram apreendidos fogos de artifício, porretes, rádios comunicadores, um megafone, uma marreta, um estilingue e outros objetos. O caso foi registrado como lesão corporal de natureza grave e dano ao patrimônio público.
Em manifesto divulgado após a ocupação, os responsáveis pela ação afirmaram atuar de forma independente, sem vínculo com o DCE (Diretório Central dos Estudantes), que conduziu a greve nos últimos meses.
O grupo diz que a mobilização busca pressionar a universidade a avançar nas negociações sobre permanência estudantil.
Horas antes, uma assembleia geral aprovou a recomendação para encerrar a paralisação na universidade iniciada em abril.
A decisão ainda precisa ser referendada pelos cursos, mas sinaliza uma mudança no cenário do movimento. Nos últimos dias, unidades como a Faculdade de Direito, a Escola Politécnica e a Faculdade de Medicina já tinham votado pela retomada das atividades.
Segundo a reitoria, 24 unidades encerraram a greve, enquanto outras 19 ainda mantinham algum tipo de mobilização.
O principal impasse entre estudantes e administração está relacionado aos auxílios do PAPFE.
Atualmente, os benefícios variam de R$ 335 para moradores do conjunto residencial estudantil a R$ 885 para estudantes contemplados com auxílio integral.
A USP propôs reajustar os valores com base no IPC-Fipe, elevando-os para R$ 340 e R$ 912, respectivamente. Os estudantes consideram a proposta insuficiente e defendem benefícios equivalentes ao salário mínimo paulista.
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