PMs da Rota são presos após atentado contra jovem e tiroteio com outros policiais 

Armados com fuzis, eles atacaram nesta quarta-feira (8), em Sumaré (interior de SP)

Geovani Salustriano, 22
, foi baleado por PMs da Rota e do Baep, em Sumaré (SP)

Geovani Salustriano, 22 , foi baleado por PMs da Rota e do Baep, em Sumaré (SP)

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Dois integrantes da Rota, suposta tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, e dois membros do 1º Baep (Batalhão de Ações Especiais) foram presos em flagrante na madrugada desta quinta-feira (9) sob a suspeita de promover um atentado a tiros contra um jovem de 22 anos e também de tentar matar outros quatro policiais militares que atuam na cidade de Sumaré (a 120 km de São Paulo).

A bordo de um Celta particular e com as placas adulteradas, os quatros PMs, todos sem farda,  começaram a rondar o Parque Salerno, na periferia de Sumaré. Armados com fuzis, pistolas e escopetas, os quatro militares procuravam por Geovani da Silva Salustriano, 22 anos, morador do bairro que já foi preso por receptação de material roubado.

Por volta das 22h45 desta quarta-feira (8), os PMs estacionaram o Celta na rua da casa de Salustriano e viram quando ele estacionou seu carro, um Palio, e desceu. Assim que Salustriano entrou no quintal de sua residência, os PMs invadiram o lugar e o balearam seis vezes (quatro de raspão na cabeça, um nas costas e um no ombro).

Ao voltar para o Celta para fugir, os quatro PMs suspeitos do atentado contra Salustriano viram a chegada de dois carros da Polícia Militar, cada um com dois PMs. Esses quatro PMs de Sumaré faziam patrulhamento rotineiro no Parque Salerno, ouviram os tiros e viram quando os PMs da Rota e do Baep entraram no Celta, todos com armas nas mãos.

Segundo os PMs de Sumaré, após receber ordem para descer do Celta e entregar as armas, os policiais da Rota e do Baep começaram um tiroteio e, mesmo com o carro atingido por vários tiros, o quarteto conseguiu escapar do Parque Salerno.

Enquanto todos os PMs de Sumaré eram alertados sobre a fuga dos homens no Celta, assim como também os militares das cidades vizinhas de Paulínia e Campinas, familiares e amigos de Salustriano o levaram para o hospital e ele foi internado. Até a conclusão desta reportagem, o jovem não corria risco de morte.

Quando o Celta com os PMs da Rota e do Baep estava no Parque da Represa, já em Paulínia, PMs da cidade cercaram o veículo. Assim que desceram, o 2º sargento Israel Nantes Santos, 31 anos, da Rota, e o soldado Muller Paschoal de Oliveira Ferreira, 26, do Baep, se apresentaram como policiais e disseram que os dois amigos deles estavam baleados, dentro do Celta.

Sargento Nantes 
e o deputado estadual Coronel Telhada (PSDB)

Sargento Nantes e o deputado estadual Coronel Telhada (PSDB)

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Ao notarem que os PMs Nantes e Muller não conseguiam explicar como seus amigos, os cabos Joabe Rodrigues Saraiva, 34 anos, da Rota, e Fabio Daniel da Silva, do Baep, haviam sido baleados nas costas, os PMs de Paulínia pediram apoio aos militares de Sumaré e constataram que os quatro eram os responsáveis pelo tiroteio ocorrido minutos antes, em Sumaré.

Levados para um hospital de Paulínia, Saraiva e Daniel foram operados e permanecem internados. Eles não correm risco de morte.

Assim que forem liberados do hospital, os dois PMs feridos se juntarão novamente ao sargento Nantes e ao soldado Muller, que já estão presos no Presídio Militar Romão Gomes, no Jardim Tremembé, zona norte de São Paulo.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o quarteto responderá pelas tentativas de homicídio contra Salustriano e contra os quatro PMs de Sumaré que tentaram detê-los após o atentado.

Até a conclusão desta reportagem, os advogados de defesa dos PMs Nantes, Saraiva, Daniel e Muller não foram localizados.

Profissional destacado

Imagem mantida pelo sargento Nantes, da Rota, em sua página na rede social Facebook

Imagem mantida pelo sargento Nantes, da Rota, em sua página na rede social Facebook

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Em sua página na rede social Facebook, o 2º sargento Nantes se define assim: “Israel Nantes, sargento na PMESP, atua como comandante de equipe de Rota e se destaca profissionalmente no policiamento pela população paulista”.

O 2º sargento Nantes também mantém fotos ao lado do deputado estadual coronel Telhada (PSDB) e imagens de caveiras vestidas com o fardamento da Rota e nas quais afirma: “Policial da Rota não patrulha...caça bandidos”.