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Poder público e sociedade precisam enxergar potencial dentro da Fundação Casa, diz juiz

38 jovens que cumprem ou cumpriram medida socioeducativa em SP foram aprovados em cursos profissionalizantes

São Paulo|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • 38 jovens da Fundação Casa em SP foram aprovados em cursos profissionalizantes nas Etecs e Fatecs.
  • O juiz Iberê Dias destaca o potencial dos adolescentes e a importância da educação como recomeço.
  • Há controvérsias sobre a reintegração desses jovens, mas a Constituição garante apoio estatal e social.
  • A educação profissionalizante é vista como alternativa ao crime, promovendo integração social.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A educação se tornou sinônimo de recomeço para 38 jovens que cumprem ou cumpriram medida socioeducativa na Fundação Casa de São Paulo. Eles foram aprovados nos processos seletivos do segundo semestre das Etecs e Fatecs, instituições públicas de ensino técnico e superior do estado.

25 já efetivaram a matrícula e iniciaram as aulas nesta semana em cursos voltados ao mercado de trabalho, como administração, desenvolvimento de sistemas, marketing, segurança do trabalho e gestão empresarial. Em entrevista ao Link News, o juiz Iberê Dias diz que “basta ter contato frequente com esses adolescentes que é fácil perceber o quanto tem de diamante bruto para ser lapidado”.


Um jovem com camiseta azul está sentado e escrevendo em uma folha de papel branca com um lápis
São adolescentes que têm extremo potencial, diz Iberê Dias Reprodução/Record News

Segundo ele, normalmente são adolescentes que têm muita capacidade intelectual, física, que querem efetivamente uma oportunidade, mas que, por diversas questões sociais prévias, acabaram enveredando pelo caminho da prática de atos infracionais. “Mas são adolescentes que têm extremo potencial”, afirma.

No entanto, o assunto ainda é alvo de controvérsia. Há quem acredite que a educação é o melhor caminho, mas também quem defenda medidas mais rigorosas, equiparadas às penas dos adultos. Dias reconhece que a questão “gera na sociedade uma certa repulsa”, mas pontua que, em primeiro lugar, a Constituição assegura a esses adolescentes o apoio tanto do Estado quanto da sociedade para se reintegrarem ao convívio de forma adequada.


O papel da educação profissionalizante, nesse sentido, é mostrar que há outro caminho além do crime. “Eles enxergam no tráfico de drogas uma forma de ascensão e pertencimento social que nenhum outro lugar até então propiciou a eles. Quando se veem com a possibilidade de fazerem cursos formais, esses adolescentes se mostram extremamente dedicados, interessados, ansiando por levar uma vida dentro da lei”, aponta o juiz.

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Ele explica, porém, que a oportunidade não se aplica a todos os jovens em conflito com a lei. É necessário verificar se o momento psicológico é adequado, se as diretrizes estão sendo seguidas e se existe potencial para a vaga. Mas, segundo o especialista, é raro que, diante da aprovação, uma vaga seja indeferida. Além dos novos números, já são mais de 9.000 certificados profissionalizantes emitidos em várias áreas.


Existe enorme potencial dentro da Fundação Casa e é essencial que poder público e sociedade olhem para isso, não com olhar de repulsa, com olhar de recriminação, mas sim para compreender o que é necessário fazer para que esses adolescentes efetivamente tenham a possibilidade de fazer parte dos meios formais da sociedade”, reforça.

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