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Polícia ainda está aprendendo a agir em protestos, diz analista

Para a Anistia Internacional, policiais militares atuam com excesso de violência nos atos

São Paulo|Amanda Mont'Alvão Veloso, do R7

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No último dia 19, a PM ficou distante e não interferiu no protesto
No último dia 19, a PM ficou distante e não interferiu no protesto

A ação da polícia nas manifestações que acontecem no Brasil desde junho de 2013 tem oscilado entre a repressão violenta e a supervisão pacífica. Analistas ouvidos pelo R7 divergem sobre a atuação das forças de segurança pública nesses atos e ponderam que essa é também uma realidade nova para a polícia.

Na opinião de Jorge Lordello, especialista em segurança pública e privada, a manifestação do dia 6 de junho de 2013, convocada pelo MPL (Movimento Passe Livre), em São Paulo, é considerada um divisor de águas.


— Não tínhamos esse tipo de atuação popular no Brasil e ela chamou a atenção da imprensa e das autoridades. Quando surge algo novo, a polícia tem de se adequar. Ela começou a comprar uma série de equipamentos que não existiam, uma vez que não eram necessários, e a partir disso, foi traçando estratégias para garantir a segurança desses eventos.

Para Lordello, houve um grande avanço da polícia no acompanhamento das manifestações.


— Ela [a polícia] tem muito mais homens hoje, está mais equipada e se desloca mais rapidamente. Cada vez mais, a polícia vem adquirindo equipamentos e fazendo treinamentos.

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O policiamento em manifestações é exigido para se garantir a segurança dos manifestantes e também do entorno, como o trânsito. A forma como esse acompanhamento foi feito em São Paulo, porém, é criticada pelo cientista político e especialista em segurança pública Guaracy Mingardi.

— As manifestações tiveram uma repressão muito mal-feita e violenta inicialmente e isso fez com que elas se espalhassem pelo País inteiro. O trabalho policial não melhorou muito e o grande problema tem sido identificar quem são as pessoas que cometem vandalismo.


A Anistia Internacional, que acompanha as manifestações no Brasil desde o ano passado, considera violenta a atuação da polícia, como explica o assessor de Direitos Humanos do órgão, Alexandre Ciconello.

— Observamos um uso excessivo da força por parte do Estado, reprimindo protestos muitas vezes pacíficos e dispersando manifestações antes mesmo de começarem, como aquela da abertura da Copa do Mundo, em São Paulo. Documentamos alguns casos de violência, como os jornalistas atingidos por balas de borracha no olho, também na capital paulista. Além disso, temos casos de bombas de gás lacrimogêneo lançadas em locais fechados, como estações de metrô e hospital.

O órgão lançou uma campanha chamada Brasil, Chega de Bola Fora! para alertar sobre o risco de restrição aos direitos à liberdade de expressão e manifestação pacífica no País durante a Copa do Mundo. Mais de 87 mil assinaturas foram entregues à presidente Dilma Rousseff e ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, e a Anistia também diz estar em contato com os governos estaduais.

Mudança de estratégia

Na manifestação da última quinta-feira (19), realizada pelo MPL, a polícia paulista adotou uma postura diferente: em vez do policiamento ostensivo adotado nos eventos anteriores, o efetivo escolheu ficar afastado. O protesto terminou com agências bancárias e concessionárias depredadas. O cenário de destruição pode ter sido facilitado pelo distanciamento dos PMs, mas a corporação disse que a estratégia atendeu a um pedido dos próprios manifestantes.

Para Lordello, houve erro estratégico naquela tarde.

— A polícia segue padrões de atuação, e eles são baseados em protocolos internacionais usados em manifestações nos outros países. Neste fato específico, houve surpresa, porque foi feita uma negociação com os manifestantes.

Reportagem do R7 publicada na última sexta-feira (20) mostrou que a decisão foi considerada cômoda, ingênua e vergonhosa por especialistas de segurança pública.

Ciconello, da Anistia Internacional, lembra que o direito de manifestação fica ameaçado pela violência, não importa a origem.

— A polícia tem que coibir e investigar a violência em manifestações e não usar a força de forma excessiva. A violência dos dois lados, tanto da polícia, com a repressão, quanto de indivíduos, durante a manifestação, tem impedido o protesto pacífico.

Questionada sobre as estratégias utilizadas nos protestos, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo não respondeu até a publicação desta matéria.

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