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Policial de SP é contra 'controle externo', diz pesquisa

Estudo revela que policiais querem integração com órgãos que lidam com segurança pública

São Paulo|Do R7

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Policiais civis e militares de São Paulo gostariam de uma participação maior da comunidade nas decisões sobre planejamento de patrulhamento. Por outro lado, são contra a influência da comunidade ao decidir o afastamento de policiais violentos. É o que mostra pesquisa inédita sobre reforma do sistema policial, chamada Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública, feita em parceria entre o Fbsp (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), a Escola de Direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Público).

Os dados completos da pesquisa, que colheu informações de 21 mil policiais civis e militares de todo o País, serão divulgados nesta quarta-feira (30), em São Paulo. A pesquisa foi feita a partir de resposta a questionários enviados por e-mail. Foram enviados cerca de 600 mil e-mails para PMs, policiais civis, federais e rodoviários. Em São Paulo, foram 2.079 respostas.


Dentre os policiais paulistas, 83,3% dos PMs e 83,6% dos policiais civis disseram que a população deveria participar das decisões sobre a prioridade dos patrulhamentos. Só 7,9% dos PMs e 9,7% dos civis foram contra.

Para o vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM paulista, Antonio Carlos do Amaral Duca, a opinião é fruto de experiência já vivida na prática.


— São Paulo tem os conselhos de segurança. O policial já sabe que é parte da sociedade.

Por outro lado, a pesquisa mostra falta de vontade dos policiais de submeter suas corporações a controle externo: 55% dos PMs e 49% dos civis dizem que a comunidade não deveria "influir de forma decisiva no afastamento de um policial apontado por vários moradores como violento e/ou desrespeitoso", segundo a pesquisa.


Segundo Duca, isso acontece porque as polícias, muitas vezes, são usadas para fins políticos.

— As críticas e elogios à polícia, e algumas atuações, têm cunho muitas vezes político. Quando se fala em comunidade, eventualmente o que ocorre é uma interferência política em decisões que são da polícia.


Em outra pergunta, os policiais, tanto civis quanto militares, relataram uma relação de falta de confiança no Ministério Público e na Justiça.

Para 47,2% dos policiais, o MP atua "com insensibilidade e indiferença relativa às dificuldades do trabalho policial, apenas cobrando, sem colaborar". Sobre o Judiciário, esse comportamento foi apontado por 47,1% dos entrevistados.

O coordenador da pesquisa, Renato Sérgio de Lima, diz que os policiais de São Paulo manifestaram desejo de maior integração com outros órgãos que também lidam com a segurança pública.

— Se você olhar as respostas do questionário, você verá que não há consenso sobre como deveria ser a integração das polícias.

Entretanto, 75% dos policiais de São Paulo acham que deveria haver uma integração maior, segundo a pesquisa.

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