Policial suspeito de ataques em Carapicuíba e Osasco presta depoimento
Quatro pessoas morreram e sete ficaram feridas em três ações criminosas, no mês de abril
São Paulo|Do R7, com Agência Record

O policial militar preso na última sexta-feira (26), suspeito de participar dos ataques que deixaram quatro mortos e sete feridos nas cidades de Carapicuíba e Osasco, na Grande SP, no mês de abril, foi interrogado na manhã desta sexta-feira (03). O PM, que não teve a identidade divulgada, prestou depoimento no 1º Distrito Policial de Carapicuíba.
Ele negou participação em qualquer dos crimes e também disse não conhecer os outros três envolvidos, outro policial e dois vigilantes noturnos. Após ser ouvido, o PM voltou ao Presídio Militar Romão Gomes.
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Os ataques
O primeiro caso aconteceu no Jardim Conceição, em Osasco, por volta das 23h de quarta-feira (17). Um homem foi morto e outros três ficaram feridos.
Menos de uma hora depois, a cerca de 2 km do primeiro ataque, na esquina das ruas Júpiter e Andrômeda, cinco homens que estavam em um bar foram alvejados. Um morreu no local, outro no hospital e três foram socorridos a hospitais da região.
Oito pessoas que estavam na avenida Netuno, a 500 m do segundo ataque, foram baleadas. Um carro prata parou e um ocupante chamou um membro do grupo. Quando o jovem chegou perto do veículo, foi baleado. Os outros tentaram fugir, mas também ficaram feridos. Dois morreram no local e três foram levados ao pronto-socorro.
Em todos os casos, os sobreviventes relataram que os ocupantes do carro prata usavam toucas ninja. O carro, um Vectra de cor prata, também seria o mesmo dos três ataques.
As prisões
Um sargento e um soldado, de um batalhão de Osasco, na Grande São Paulo, foram presos administrativamente pela Corregedoria da PM no último sábado (20), após o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas casas, carros e armários deles, no local de trabalho. A Polícia Civil anunciou que deve pedir, nesta quinta-feira (25), a prisão temporária dos dois e de dois vigilantes noturnos, também suspeitos de envolvimento. Um dos vigias já está na cadeia. Ele foi detido em flagrante, em Carapicuíba, na segunda-feira (22), por posse ilegal de munição.
No armário de um dos PMs, foi encontrada uma touca ninja e uma cápsula de munição calibre 9 mm, igual à encontrada nos locais das mortes. No carro de outro, havia munições de arma calibre 22, também usada nos ataques, segundo o comandante da Polícia Militar do Estado, coronel Benedito Roberto Meira.
— Esse policial permaneceu recolhido porque ele não tem nos nossos registros nenhuma arma de calibre 22.
Segundo Meira, os PMs presos não souberam explicar aquilo que foi encontrado no armário de um e no carro do outro. Mesmo assim, as investigações buscam outras provas que possam ligá-los aos crimes.
— Quando eu tenho uma resposta evasiva, eu tenho indícios para decretar a prisão administrativa. Não é só a touca ou a munição, nós temos que reunir outros indícios fortes que apontem a participação desses policiais.
A polícia também analisou a imagem de uma câmera de segurança que flagrou um homicídio recente, em Carapicuíba. Na filmagem, um homem aparece com uma jaqueta muito parecida com a encontrada na casa de um dos policiais. Isso reforça a suspeita de que ele tenha envolvimento em outros casos.
As investigações
A Polícia Civil tem cinco casos em aberto considerados de relevância pelo delegado geral, na em Osasco e Carapicuíba. A morte do soldado Luiz Carlos Nascimento da Costa, de 42 anos, no dia 5 de fevereiro deste ano, em frente a uma farmácia, em Osasco; e os quatro assassinatos do fim da noite de quarta-feira (17).
Segundo o delegado geral da Polícia Civil, Maurício Blazeck, em pelo menos dois deles há participação clara de policiais militares. Mas ele não descarta que PMs estejam envolvidos em outros ataques.
O comandante da PM disse que a polícia vai rastrear os celulares que foram apreendidos com suspeitos.
— É possível você detectar se os celulares foram utilizados. Eu tenho que pedir a quebra do sigilo desses celulares para saber quais as ERBs [estações rádio base] foram utilizadas. Se foi uma ERB no local dos fatos, isso já é outro indício de que ele esteve no local e utilizou o telefone para receber uma ligação naquele local.
A polícia também vai verificar os aparelhos de GPS das viaturas que estavam na área onde aconteceram os ataques naquela noite. O objetivo é saber se algum policial de serviço deu cobertura para a ação criminosa.
Grupos de extermínio
Dois PMs foram afastados das ruas por suspeita de envolvimento em uma chacina em Guarulhos, no mês passado. Três jovens morreram e outro ficou gravemente ferido. O autor, segundo testemunhas, identificou-se como policial militar antes de começar a atirar.
Segundo o delegado geral, sete inquéritos sobre nove homicídios com a autoria de policiais militares em Guarulhos já foram concluídos desde março de 2011. Outras 18 investigações de 20 mortes estão em andamento, mas ainda não há indícios da participação de PMs.
Policiais militares são os principais suspeitos de ter montado um grupo de extermínio em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que seria responsável por matar 35 pessoas e ferir outras 17 na cidade desde junho. A onda de crimes na cidade da Grande São Paulo começou no auge dos ataques de uma facção criminosa contra a polícia.
Segundo investigações da Polícia Civil, homens do 31º e do 44º batalhões da PM se uniram em uma vingança que atingiu criminosos, frequentadores de pontos de venda de drogas, vizinhos de bandidos e mesmo quem, por acidente, estava na hora e no lugar errados. Nem mesmo crianças escaparam.
O Comando-Geral da PM informou que abriu dois inquéritos policial-militares para apurar a participação de integrantes da corporação em assassinatos em Guarulhos. As investigações são feitas pelo Comando de Policiamento de Área-7 e pela Corregedoria da PM. Testemunhas já foram ouvidas e perícias, feitas.













