São Paulo Pouca chuva faz Sistema Cantareira operar em alerta; Sabesp descarta risco de desabastecimento

Pouca chuva faz Sistema Cantareira operar em alerta; Sabesp descarta risco de desabastecimento

Represas operam com 38,4% da capacidade. Média histórica para o mês de julho é de 46,5%

Agência Estado
Represa do Sistema Cantareira

Represa do Sistema Cantareira

Sebastião Moreira/EFE - 01.11.2020

O Sistema Cantareira, que abastece mais de 7 milhões de pessoas na região da Grande São Paulo, opera nesta terça-feira (12) em nível de alerta, com apenas 38,4% de sua capacidade. O nível é o mais baixo do reservatório para o mês de julho desde 2015, quando o manancial quase secou e foi necessário usar o volume morto, reserva técnica de água abaixo das comportas, para evitar o desabastecimento total da população.

Formado por um conjunto de cinco reservatórios interligados por túneis e canais, o sistema vem operando em nível de alerta, abaixo dos 40% de sua capacidade, desde o dia 28 de junho. Em julho do ano passado, o volume do Cantareira era de 44%. Já a média histórica deste mês é de 46,5%. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que opera o sistema, afirma que não há risco de desabastecimento porque os sistemas que abastecem a Grande São Paulo são interligados e os outros estão com mais disponibilidade de água.

O volume do Alto Tietê está em 58,1% nesta terça; o do Guarapiranga, em 72,1%; o do Cotia, em 79,0%; o do Rio Grande, em 95,5%; o do Rio Claro, em 43,0%; e o do São Lourenço, em 85,3%. Desses, apenas o Cantareira e o Rio Claro tinham volumes abaixo da média histórica. Com isso, o volume total armazenado nos mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo estava em 53,5%.

Regras para captação

Uma resolução conjunta da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), órgão federal, e do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) do Estado de São Paulo, baixada em 2017, estabeleceu regras para a captação de água no Cantareira pela Sabesp, levando em conta o volume armazenado. A situação é normal quando o nível do reservatório é igual ou maior que 60%; de atenção, quando é igual ou maior que 40% e menor que 60%; de alerta, quando está maior que 30% e menor que 40%; de restrição, quando é maior que 20% e menor que 30%; e especial, quando o volume acumulado é menor que 20%. Essas faixas orientam os limites de retirada de água do sistema.

Quando o volume está normal, a Sabesp pode retirar até 33 mil litros por segundo, quantidade que é reduzida à medida que o nível do sistema recua. O Cantareira também é responsável por manter a vazão efluente (abaixo dos reservatórios) dos rios que abastecem seus reservatórios, como o Jaguari e o Atibaia, formadores do rio Piracicaba. Cidades como Campinas, Valinhos e Jaguariúna dependem dessa vazão para seu abastecimento.

Na segunda-feira (4), o Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) emitiu às prefeituras dos 40 municípios que o integram uma nota de alerta sobre a "insistente redução das precipitações (chuvas) durante o ano de 2022, o que tem afetado a disponibilidade hídrica da região, com possíveis impactos à oferta de água". Conforme o Consórcio PCJ, o período de estiagem começou mais cedo neste ano e deve se prolongar até outubro.

No mês de junho, segundo dados da equipe técnica do Consórcio PCJ, as chuvas ficaram 59,8% abaixo da média histórica em toda a bacia hidrográfica. O índice pluviométrico médio do último mês foi de 20,14 mm, quando o esperado seria de 50,14 mm. "Esse comportamento tem sido verificado em todos os meses de 2022, à exceção apenas de janeiro, quando as chuvas foram acima da média", disse, em nota.

A queda acentuada das precipitações, afirma o consórcio, repercute na vazão dos mananciais, como os do Sistema Cantareira, que é também a principal reserva de água das bacias de regiões populosas do interior, como as de Campinas e Jundiaí. "As previsões para os próximos meses indicam a queda contínua desse volume devido à pouca ocorrência de chuvas, temperaturas elevadas e baixa umidade do ar. Nesse momento, é necessária uma campanha de conscientização sobre o cenário hidrológico, para que a comunidade seja o menos impactada possível", alertou.

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